Opinião
Quase miragens - Editorial
Vistas deslumbrantes sempre realçaram a beleza natural alagoana. O tema foi abordado em nossa edição do dia 12 de janeiro deste ano, anteontem. Há muitas décadas, os horizontes descortinados através das bordas das barreiras foram valorizados em Maceió com a construção de mirantes. Ao norte de Maceió, o mais recente já é um quarentão ? o Mirante da Sereia, edificado por volta de 1966, bem na beira do mar cujo trecho ficou definitivamente batizado por esse nome. Ao sul, o novato é mais jovem, edificado a cerca de 20 anos sobre a paradisíaca Praia do Gunga. Redescobertos pelos guias turísticos, os mirantes de Maceió mesmo maltratados ? ainda mostram sua força ao prenderem as atenções de dezenas de turistas conduzidos até esses pontos em ônibus para os quais não se pensou em áreas para estacionamento. No mirante de Santa Terezinha, um dos preferidos pelos visitantes e nativos, os motoristas dos ônibus de turismo têm de fazer malabarismos de volante para arranjar brechas onde possam desembarcar com alguma segurança, seus ocupantes. Como não existe planejamento do setor público para garantir segurança de trânsito ao estacionamento de ônibus nem ao afluxo de passageiros nessas áreas, os turistas precisam serpentear entre veículos em movimento, a não ser quando os motoristas dos coletivos ousam bloquear a rua para proporcionar um mínimo de segurança no desembarque de seus usuários. Quem sabe, o poder público ? tocado pela atenção dos turistas que correm riscos e pela sensibilidade dos locais que deram suas (poéticas) declarações sobre como vêem os nossos mirantes ? possam redescobrir também este foco de atração em Alagoas. Quem sabe, até por serem de baixo custo, novos mirantes possam ser construídos e os existentes conservados. Miremos a esperança.