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Opinião

Os intelectuais no jogo da sociedade

| Dom Fernando Iório * Terão os intelectuais de mudar o seu modo de agir no mundo popular. Não se trata de ensinar ao povo uma ideologia que crie obstáculo a qualquer caminhada já escolhida – isso constituiria, de certo, aquele pensamento afuncional. Com

Por | Edição do dia 16/01/2007 - Matéria atualizada em 16/01/2007 às 00h00

| Dom Fernando Iório * Terão os intelectuais de mudar o seu modo de agir no mundo popular. Não se trata de ensinar ao povo uma ideologia que crie obstáculo a qualquer caminhada já escolhida – isso constituiria, de certo, aquele pensamento afuncional. Com tal ideologia passariam os simples a achar que saberiam muitas coisas, mas teriam, apenas, aprendido a aprender a recitar palavras, absolutamente sem efeito. De maneira alguma teriam aprendido a elaborar determinada maneira de agir. O que se espera dos intelectuais é que ponham à disposição do povo as suas capacidades profissionais ou técnicas: a arte de pensar, coordenar, planejar, avaliar... Mas, isso requer muita paciência pela necessidade de um decisivo processo de inculturação. Com efeito, o modo de pensar popular é diverso da maneira de raciocinar que se aprende nas escolas, bem assim os falares. Terão os intelectuais que renunciar a sua ilusão de universalidade. De certa maneira, o linguajar universitário não é universal, senão o linguajar particular do mundo universitário e nada mais. Por isso os intelectuais estão em baixa e em retrocesso. Faz mais de 20 anos que estão em retirada na Europa. Na América Latina acontece a mesma coisa: já não animam o jogo da sociedade. Foram substituídos pelos economistas que para si reclamam o título de cientistas. Podemos, no entanto, presumir ser momentânea essa retirada. Dir-se-ia paradoxal estarem, apesar de tudo, os intelectuais, na América Latina, à frente de não poucas mudanças, desde a independência, não havendo sinal algum de que possam as coisas mudar em breve. Tudo porque a burguesia nacional é fraca, bem assim as organizações populares, somente adquirindo importância quando são lideradas por intelectuais, como o PT, no Brasil, e os movimentos de esquerda, de modo geral, em quase todos os países. Dado o fraco nível de escolarização do povo, ainda são indispensáveis os intelectuais para orientar os movimentos populares, não podemos determinar por quanto tempo. Eles têm a capacidade de pensar uma ação em conjunto, de planejar, expressar, coordenar ações. Assim mesmo, será das classes dos intelectuais, com todas as suas fraquezas, que brotarão os movimentos de mudanças. Não tenhamos a ilusão de pensar que a totalidade universitária queira a mudança, senão integrar-se na sociedade estabelecida. Uma parte, porém, será capaz de buscar o novo. Esta é a parte que nos interessa e que, para a Igreja, é importante. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.

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