Opinião
Torcidas e gangues - Editorial
Moda pega, até para coisas ruins, como pode ser comprovado através da insistência das torcidas organizadas na prática de agressões mútuas e vandalismos. No passado, tais ocorrências marcavam particularmente os hooligans ingleses. Depois, o que era exceção foi virando regra e, em vários países, inclusive no Brasil, grupos de torcedores metamorfosearam-se em gangues. Vários conflitos lamentáveis ensombrearam o brilho de nossos estádios e até vítimas fatais foram registradas nessas batalhas entre torcedores transformados em bandidos. Apropriadamente, os poderes públicos entraram em campo para tentar coibir tão condenáveis tendências e as chamadas ?torcidas organizadas? passaram a sofrer restrições. Infelizmente, tais restrições (justificadas) também tendem a causar um certo enfraquecimento no espetáculo de alegria e entusiasmo que só os esportes coletivos podem proporcionar através da sinergia entre times e torcidas. E os grupos organizados sempre foram os catalizadores desse espírito de integração. Mas, como alguns descambaram para a violência, muitos aspectos dessa relação clube/torcida foram prejudicados. Infelizmente, os fatos indicam que não se pode transigir com essa tendência de vandalismo dos grupos de torcedores. As cenas tristes que puderam ser presenciadas depois do jogo CRB x CSA de domingo são provas desta necessidade de manter-se ativa a vigilância sobre esses agrupamentos. Do Trapiche ao Centro da cidade os logradouros de Maceió viraram palcos de batalha. Até a quase deserta Praia da Avenida perdeu sua paz durante o crepúsculo dominical e os tumultos só cessaram graças a dura e eficiente ação da Polícia Militar. Fica o exemplo pós-primeiro clássico do ano: nesse jogo contra a ação das gangues de torcedores, a Lei não pode fazer corpo mole.