Opinião
As faces da comunica��o
| Roberto Bastos Costa * Ao iniciar este artigo afirmo de antemão que não exerço nenhuma profissão que facilite ou seja responsável por esta tarefa. Isso não significa que, em algumas situações cotidianas não me revele como agente ou paciente dessa atividade. Vivo em sociedade e não tenho conhecimento de alguém isento de gafes, equívocos e maldades ocasionados por erros naturais, propósitos, incompetência ou equivalentes no dia-a-dia, tanto na profissão quanto na convivência. Na maioria das vezes falamos a verdade, mas damos a intensidade, o valor e a versão de conveniência e do exagero próprio da natureza humana. Na prática de treinamentos, em salas de aula, nos relacionamentos afetivos e comerciais e grupos de estudo praticamos técnicas interessantes e simples para melhorar a nossa comunicação. Os que vivenciaram tais práticas sabem o seu valor. Na realidade não me proponho a dar lições de ética, moral ou técnicas de comunicação. Sou economista de formação e acredito muito no livre pensar. No carnaval do ano passado, sofri um acidente inusitado, sem culpados e dentro do local onde, junto com um grupo de amigos, fazíamos um retiro. Após todo este tempo ouvi versões as mais interessantes, trágicas e até ?diabólicas? a respeito do que aconteceu comigo. A primeira delas surgiu na rua em que resido. A mesma dizia que eu estava a passear numa rua da cidade de Garanhuns e uma casa desabou me atingindo trazendo todos os estragos me mantendo muito bem assistido na UTI do Hospital dos Usineiros durante 18 dias. Uma outra versão relatada por minha irmã era de que eu teria caído da janela de uma pousada naquela cidade, sendo necessário, portanto, que todas as despesas fossem pagas pelo citado estabelecimento. Depois de passados 10 meses, praticamente curado, achei que não seria possível ouvir novas versões. Eu estava enganado. Convidado a almoçar com ex-colegas de trabalho tomei conhecimento da versão mais fantasiosa que tinha ouvido. O responsável pelo encontro, com um certo constrangimento, perguntou como eu conseguira quebrar uma cama de casal no primeiro andar de uma pousada e caído no andar de baixo. Nos meus anos de juventude talvez até alimentasse esta versão. Sobre todos os aspectos, é muita fantasia! Por tudo isso é bom perguntar e refletir: Como o homem ao se comunicar consegue criar tantas versões? Mas, é possível? Eu não preciso de testes ou literatura sobre o assunto. A experiência que acabo de relatar me faz acreditar nisso. (*) É membro do Instituto Silvio Vianna.