Opinião
Crise al�m das ruas - Editorial
Mais uma vez, Alagoas vê-se mergulhada em crise. Novamente, servidores públicos estão no foco das atenções, indignados pela situação salarial. Triste repeteco. Caixa curto e fundas dívidas têm provocado conflitos semelhantes em vários outros estados brasileiros, mas, particularmente em Alagoas, essa situação é perigosamente explosiva. A questão é que o secular modelo econômico alagoano coloca sob a responsabilidade do erário boa parte da movimentação de recursos. Além da agroindústria sucroalcooleira, o Estado é o grande empregador, é o contratador de serviços, é o substituto da inexistente rede de empresas de médio e grande porte que poderia oferecer empregos e multiplicar as oportunidades de geração de renda. Tudo o que mexe com a movimentação de recursos a partir do erário, portanto, reflete-se de forma mais acentuada em Alagoas que em outros Estados da federação. Novamente, estamos em meio a uma crise por conta de alterações no fluxo de recursos públicos. Embora os servidores, justamente indignados, estejam centralizando as atenções para sua causa, outros tantos segmentos encontram-se em situação vexatória pelo mesmo motivo ? a incapacidade do tesouro estadual em responder positivamente a todos. Além dos salários integrais, estão pendentes pagamentos inúmeros, a grande maioria inscritos na rubrica genérica de ?restos a pagar?. Ali, espremidas, estão demandas de todos os valores. O prazo, genérico, é de 180 dias para o pagamentos de tais dívidas. Pergunta: uma pequena empresa, detentora de um ?empenho? para pagamento de algo como R$ 20 mil reais, poderá resistir a quanto tempo sem quebrar? Ou seja: a crise é maior do que o grito das ruas e soluções conjuntas devem ser buscadas, com urgência e espírito cidadão, pelos poderes públicos e lideranças civis.