Opinião
Amigos para sempre...
| Gilberto de Macedo * Amigo define-se como alguém que, na presença ou na ausência tem, para cada um de nós, valor humano especial, diferente do comum das pessoas, na convivência social. É fruto de afinidades individuais que aproximam mutuamente permitindo uma convivência agradável. Assim já dizia Aristóteles que: ?Um amigo verdadeiro é uma alma em dois corpos?. Um acordo se constitui espontaneamente. Uma maneira de perceber com semelhança a realidade. Por essa afinidade, os amigos completam-se mutuamente, numa conjunção de pontos de vista, que estabelece a solidariedade incondicional, levando o filósofo Cícero a dizer: ?O amigo certo se reconhece numa situação incerta?. Vem daí a confiança e a gratidão que reforçam os laços de amizade, como características fundamentais. Portanto, o amigo, autêntico, é para sempre, acima das contingências físicas, humanas e sociais; sobrepõe-se aos interesses egoístas do poder político e da convivência econômica, respeitando-se a dignidade pessoal, como se ouve na ilustrada música popular repetidamente cantada: ?Amigos para sempre é o que nós iremos ser, na primavera, ou em qualquer das estações...?. Isso possibilitando, como se disse, pela afinidade que supera diferenças, e estabelece o altruísmo respeitoso nas relações de amizade. Voltando a Cícero que diz a respeito: ?Os semelhantes se unem voluntariamente com os semelhantes?. Assim, os amigos nunca estão afastados. Distantes no espaço físico, mas sempre presentes na lembrança. Mesmo quando verbalmente o contraria é com propósito de beneficiar como se percebe no dizer de Siro: ?Censura teus amigos, particularmente, mas louva-os em público?. É a ética da lealdade, de ser amigo acima das convivências, e sobretudo, de se apoiar na confiança mútua absoluta, da definição mesma, ainda do filósofo Cícero, de que o amigo é: ?... alguém com quem possas falar de todas as tuas coisas, como se falasse contigo mesmo?. Uma oportunidade que temos de nos elevarmos na ascensão existencial, como a propósito diz Unamuno: ?Cada novo amigo que ganhamos no decorrer da vida, nos aperfeiçoa e enriquece, não tanto pelo que nos dá, quanto pelo que descobre de nós mesmos?. Atitude altruísta, portanto, que se há de internalizar no comportamento do dia-a-dia, como lembra La Bruyere: ?Não se pode ir longe na amizade, sem se ser disposto a perdoar os defeitos uns aos outros?. É a disposição comum para a reciprocidade do bem entre amigos. Assim se diz da grandeza do verdadeiro amigo. (*) É médico.