Opinião
Paulo Nylon o craque
| Lauthenay Perdigão * O craque, como o artista, não se define nem se explica. Jogar futebol é um dom divino e a experiência mostra que trabalho, treinamento, força de vontade e perseverança podem transformar um jogador medíocre num bom jogador, mas isso não basta para formar um craque. Este nasce feito, exatamente como o artista, para quem o trabalho, treinamento, força de vontade e perseverança, são meros exercícios de aprimoramento. Paulo Nylon foi um craque. Pena que jogando em nosso futebol em uma época onde havia pouco intercâmbio com centros mais adiantados. Assim, Paulo demonstrou seu exuberante futebol para os torcedores alagoanos. Paulo Nylon começou no Universal do saudoso Pai Manu. Depois foi para o Ferroviário e do clube da Rede Ferroviária saiu para o CRB, onde conseguiu se destacar como um dos maiores jogadores da temporada de 1964, quando foi campeão alagoano. Fazia doze anos que o clube da Pajuçara não ganhava um campeonato. Naquele ano de 1964, com base no seu extraordinário meio-campo ? Paulo Nylon, Cabo Jorge e Cahu ? o CRB determinava a cadência do jogo e culminou com a conquista do título. Ser chamado de craque qualquer um é chamado. Provar que é mesmo craque é que é difícil. Para Paulo Nylon, entretanto, não foi difícil mostrar que na realidade era um craque. Além do CRB, Paulo também se tornou ídolo do CSA, onde atuou com sua costumeira categoria. Sua colocação no meio-campo era quase perfeita. Seus lançamentos eram perfeitos. Ele sabia passar no momento exato e no lugar certo. Ele dava equilíbrio ao meio-campo do time onde jogava e dominava aquele setor. Paulo Nylon mostrava o caminho da vitória para seus companheiros. Em 1962, ele foi chamado para defender a seleção alagoana no Campeonato Brasileiro de seleções, que enfrentou sergipanos e cearenses. Todos se impressionaram com seu futebol alegre, descontraído, talentoso e com muita habilidade. Chegou a ir para o Náutico. O clube pernambucano não aceitou suas bases financeiras e Paulo voltou para Maceió. Quando deixou o futebol tinha um bom emprego e começou a levar a vida como ele é. Hoje, é respeitado pela família e os amigos, mas esquecido da torcida. Sua riqueza é o passado de glórias e sonhos. (*) É diretor do Museu dos Esportes.