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A li��o que o M�xico precisa aprender

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| Fátima Albuquerque * Tudo estava programado e, depois de horas na fila da inspeção, abrindo bolsa, tirando cinto e sapatos, mostrando a pasta de dentes, pude finalmente entrar no avião que me levaria até o México. Lá, trocaria de aeronave e seguiria para a Guatemala, onde iria participar de um encontro sobre o direito humano à alimentação. Estando em trânsito no México, não seria necessário visto, foi o que disseram na embaixada e, acreditando nisso, lá fui eu rumo à minha missão. Mal desembarquei notei que não havia ninguém da tal companhia (mexicana) para me dar assistência. Tudo bem, seguindo o princípio de que ?brasileiro é desenrolado?, lá fui eu buscar informações de como proceder, até que um policial de imigração me interceptou. Mostrei o bilhete de embarque, enquanto ele me perguntava pelo visto. Expliquei a minha condição de trânsito, mas aí já era tarde. A tarjeta de ?imigração ilegal? já tinha sido a mim designada. Meu passaporte foi tomado e fui levada para uma sala onde ficam todas as pessoas nesta mesma condição. Tudo bem, seguindo o princípio de ?quem espera sempre alcança?, fiquei aguardando que, contactada a companhia, esta viesse em meu auxílio. Depois de algum tempo, alguém da companhia veio e passou para a polícia um novo cartão de embarque. Lá fomos 2 horas depois para o portão do embarque. Depois de muita confusão, a funcionária olha para o policial que estava comigo e diz que não havia mais lugar para mim no avião: overbooking! Como overbooking? Tenho que entrar nesse avião! Tarde demais, a moça virou-se e foi embora. Assim, fui levada de volta a sala de imigração e de lá para uma ?solitária? chamada de ?sala de repouso?, onde não havia cadeiras, ou cama, ou janelas, somente uma armação de banco de cimento. Tudo bem, seguindo o princípio de ?quem não chora não mama?, disse aos policiais que aquilo era um absurdo e que eu precisaria me comunicar com minha instituição em Oslo, e precisaria de um médico porque estava com dor de cabeça. Ok, disseram, tem um telefone mas precisa de cartão e a senhora não pode sair para comprar. Enquanto fazia minha ligação a cobrar, o médico chegou, e, porque eu estava ao telefone, ele disse ao policial que não estava a minha disposição e foi embora. Tudo bem, foram 18 horas de solitária, até que pudesse ir par o meu destino. Como nação e como empresa, como cidadã brasileira, digo que houve falha. Considerando o princípio de ?quem cala, consente?, registro o meu protesto. (*) É professora da Ufal.

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