Opinião
Alagoas angustiada
| Marcos Davi Melo * Os alagoanos estão angustiados com o tumulto que se promoveu no Estado, depois que o novo governo adotou as medidas drásticas que julgou indispensáveis. Imensa inquietação se instalou entre funcionários públicos e a polícia. Do desespero decorrente das perdas, para as reuniões, as passeatas, as greves, ameaças de aquartelamentos e badernas com sem-terras, sem-tetos e índios de carnaval, foi um passo. Afinal, Alagoas, um doente grave, quase terminal, ainda agüenta isto? Redução de salários é um tema explosivo. Mexer no bolso sempre é muito traumático. As razões para tomar estas medidas deverão ser gravíssimas. Com a cultura fajuta sedimentada em Alagoas de que o Estado é uma mãe perdulária e deve cobrir todas as necessidades, só um governo irresponsável e inconseqüente reduziria os salários dos funcionários desnecessariamente. O mesmo raciocínio poder-se-ia fazer de um governo que tanto aumentou salários, sem que tivesse o Estado condições financeiras para honrá-los. Justificativa única seria o governo não ter outra saída: recebeu o Estado em situação muito pior do que as piores avaliações poderiam antever ? quebradíssimo. Nestes momentos de crise se esquecem até dos indicadores econômicos e sociais humilhantes de Alagoas. Nosso atraso foi aprofundado dos anos 90 para cá e há poucas perspectivas para sairmos do atoleiro, mesmo em longo prazo, se não forem tomadas as medidas indispensáveis para tal. É preciso lembrar que o governo tem responsabilidades com toda a população. A sociedade precisa manter o equilíbrio e o bom senso, que podem ter faltado em vários momentos aos gestores públicos e, para isto, é preciso existir total transparência. A popularidade do novo governo pode estar ameaçada, mas Confúcio afirmava: ?Quando uma multidão odeia um homem, é preciso pesquisar por que; quando uma multidão adora um homem, é preciso pesquisar muito mais?. Só a verdade escancarada, absoluta e irrefutável, desfará este nó, garantirá a governabilidade e o apoio da sociedade. No cenário político nacional, a eleição para a presidência da Câmara Federal mostra que a volúpia pelo poder entre os deputados é ilimitada. A conjunção carnal promíscua entre o PT e o PSDB estava levando ao que seria impossível em um parlamento mais sério: situação e oposição compartilhando o poder legislativo. Seria afinal o nascimento do PTSDB: o Partido dos Trabalhadores da Social Democracia Brasileira. Enfim, os petistas iriam ter um belo e longo bico. (*) É médico e professor da Uncisal.