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A disputa na C�mara

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| Lysette Lyra * O Brasil é uma democracia, embora muitas vezes arranhada, ainda continua de pé. Está dividida em três poderes: Justiça, Legislativo e Executivo, completamente autônomos para tomarem suas iniciativas, embora que as decisões derradeiras precisem de um acordo final. Não sei porque a Câmara e o Senado admitem, com tanta benevolência, a ingerência do presidente da República em suas mais autênticas decisões. Não faz parte da função presidencial essa interferência notória nas deliberações dos parlamentares, mas compreendo a sua posição: precisa deles para a aprovação de suas medidas provisórias que, muitas vezes, ferem seriamente a Constituição. O apoio ao candidato à presidência da câmara e a promessa de concessões, nunca éticas, aos seus eleitores, têm grande efeito em muitos fragilizados políticos que baixam a cabeça diante do presidente da república, com indevida humildade, como se ele fosse seu chefe supremo. O presidente do parlamento é a terceira pessoa na hierarquia governamental, precisa usar, com altivez, sua força na marcha decisiva das instituições, defender com energia os interesses dos milhões de cidadãos que consagraram, através do voto, os parlamentares. Não poderá, também, esquecer sua grande responsabilidade no desenvolvimento da nação. É sabida a interferência do Lula na escolha do candidato à presidência da câmara. Primeiro apoiou Aldo Rebelo, que então resolveu se candidatar. Depois, atendendo às pressões de seu partido, o PT, mudou para Arlindo Chinaglia. Agora a bancada do PSDB resolveu lançar seu próprio candidato, Gustavo Fruet, que, por sinal, é um ótimo pretendente. A disputa dentro da Câmara tornou-se ainda mais instável, sem um elemento definitivo que encerre a contestação a favor de um candidato. O deputado Fruet, criticou severamente, nesta quinta-feira, as supostas promessas de cargos no governo federal a deputados que votarem no candidato do PT, Arlindo Chinaglia. Aldo aposta que a candidatura de Fruet evitaria uma vitória de Chinaglia no primeiro turno, forçando uma segunda votação. A partir daí, Aldo e Fruet marchariam juntos contra o petista. ?Qualquer um dos dois que vá para o segundo turno pode contar com o apoio do outro?, diz o líder do PFL. A presidência da Câmara é o cargo mais almejado da Casa, sobretudo pelo alicerce do governo. Apesar de ouvir os líderes partidários, é ele que define a pauta de votações, presidir e administrar as sessões do plenário e, o principal para um governo: decide se aceita ou arquiva representações que pedem o impeachment do presidente da República. (*) É escritora.

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