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Opinião

Sempre assim

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DOM FERNANDO IÓRIO * As coisas continuam assim. Sempre as mesmas. Mudar não é bom para o governo. Muito menos para o poder. Ninguém tem coragem de olhar diferente, de fazer outra coisa. A ordem é olhar a mesma estrela, é pensar a mesma idéia, é estreitar-se no seu limite. Para além das novas soluções, está o interesse, domina o lucro ilimitado, impera a força dominadora. Por mais que se fale, por mais que se critique e vitupere, as coisas continuam como foram para que estejam como estão. Atualmente, muito se lê, muito se informa, pouco se pensa para criar. Fomos educados na aparência, alheios à verdadeira sabedoria. Recebemos informações sem aprendizagem, por isso permanecemos, despercebidamente, ignorantes, avaliando as mesmas coisas, na multiplicação de encontros, seminários e viagens apressadas, com suculentas diárias. Para não retornar, deve o dinheiro ser gasto de qualquer maneira. Nada se cria, porque tudo se gasta em cima das mesmas coisas. Por mais que discutam os economistas e analisem os sociólogos, ?ninguém sabe, diz Fernando Pessoa, que coisa quer/ninguém conhece que alma tem/nem o que é mal, nem o que é bem/ .../ Tudo é incerto e derradeiro./ Tudo é disperso, nada é inteiro?. Somente o mesmo das coisas permanece. Um grupo de cientistas houve por bem colocar cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e sobre ela um cacho de bananas. Quando um macaco subia a escada, em busca das bananas, acionavam os cientistas forte jato de água fria sobre os símios que se encontravam no chão. Após certo tempo, quando ia um macaco subir a escada, os outros o derrubavam e o surravam. Passado certo tempo, nenhum macaco subia mais a escada, na procura das bananas. Foi o momento de os cientistas substituírem um dos macacos por um novo. A primeira coisa que ele fez foi subir a escada para comer as bananas, sendo, de logo, surrado pelos outros. Após repetidas surras, o novo integrante desistiu de subir a escada. Um segundo macaco veterano foi substituído e o mesmo ocorreu, com sucessão de surras. Nada mudou com a substituição do terceiro, do quarto e do quinto macacos. Todos foram espancados. Ficaram, assim, os cientistas com cinco macacos novos que, nunca tendo tomado banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Fora possível inquirir a qualquer um deles, porque batiam em quem tentasse subir a escada, de certo seria esta a resposta: ?Não sei, mas as coisas por aqui sempre foram assim, dessa maneira?. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS ÍNDIOS

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