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Opinião

Problema da fome

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Dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) mostram que a fome já atinge mais de 800 milhões de pessoas no mundo. Eles foram citados pelo diretor-geral da entidade, Jacques Diouf, segundo a Agência EFE, ao abrir, anteontem, o Fórum Alternativo de Organizações Não-Governamentais (ONGs) às vésperas da Cúpula Mundial sobre Alimentação, que começou ontem em Roma, com a participação de chefes de Estado, de governo e outros representantes de mais de 160 países. Por sua vez, em mensagem à nova assembléia da FAO, Roma, o papa João Paulo II denuncia a falta de solidariedade para combater a fome no mundo. E afirma: ?Hoje, mais do que nunca, é necessário que as relações internacionais estejam baseadas na solidariedade. A fome e a pobreza ameaçam a paz e a segurança mundial?. Lembra que são preocupantes as estatísticas sobre a ajuda aos países pobres. E a cúpula de 1996, quando os delegados dessas nações se comprometeram a reduzir pela metade o número de pessoas desnutridas no mundo. E diz que se os seus objetivos não foram alcançados, é porque falta uma cultura da solidariedade, um pragmatismo ético e moral. Já o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, disse, ontem, que é hora de conter esse ?problema angustiante. Em um mundo de abundância, acabar com a fome é o nosso afã. O fracasso em atingir essa meta deve encher-nos a todos de vergonha. É hora de agir?. Segundo estimativas da própria FAO, 12 milhões de pessoas sofrerão com a falta de alimentos já no próximo ano. O que não deixa de ser motivo para maiores preocupações não apenas para as personalidades que estarão discutindo sobre esta questão no evento realizado, durante quatro dias, na capital italiana. Eles estarão estudando os meios de contribuírem para o efetivo cumprimento da já antiga promessa de reduzir, em 50%, até 2015, a quantidade de pessoas que vivem na miséria. Entre as quais, está boa parte das famílias no Brasil, principalmente no Norte e Nordeste, que tiveram suas desigualdades sociais agravadas nas duas administrações de FHC. É preciso que os diversos segmentos sociais se conscientizem e se mobilizem cada vez mais para exigir de seus homens públicos as decisões necessárias para evitar o pior.

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