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Opinião

Touradas em Madrid e N�jera

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| Rubens Villar * Há vintes anos passados conheci a Arena de Touros de Madrid. Numa tarde ensolarada de domingo postei-me numa fila aguardando o momento de ingressar naquele grande anfiteatro. Inesperadamente ouço alguém gritar Villar... Villar... Alguns minutos depois, Villar... Villar. Pela terceira vez ouço a mesma voz e olhando rápido antes que o misterioso personagem se escondesse, flagrei o Geraldo Patury Accioly que veio em minha direção de braços abertos, sorriso largo estampado no rosto. Trocamos um abraço fraternal como bons alagoanos. A arena colorida, apaixonada, musical, vibrava com cada golpe certeiro del Matador. Esporte violento, cruel. Tinha vinte anos a menos, vibrei e fiz coro com a multidão selvagem e ululante. Ano passado no Caminho de Santiago, chego a Nájera. Caminhando em direção ao Albergue, atravessei, no Centro da cidade, uma pontezinha arqueada, charmosa, sobre o rio Nájera, no meio, parei admirando as lindas montanhas de onde a água cristalina escorria passando célere sob a ponte formando pequenas cachoeiras. Ao longe ouço acordes de uma banda de música. Dirijo-me à igreja e deparo-me com a elite da cidade vestindo seus melhores trajes. A comunidade estava em festa. Não me fiz de rogado e acompanhei a procissão com o cajado e a mochila com 10 quilos às costas onde estavam meus objetos de uso pessoal. No ritmo comovente das belas canções espanholas rodeamos a praça central. Estava feliz da vida com aquele momento maravilhoso! Ao término das cerimônias casualmente entro num bar e uma louraça espetacular de um metro e oitenta se dirije a mim oferecendo ajuda com um olhar cúmplice e sorriso malicioso. Pensei, vou passar uma temporada por aqui. Agacho-me para apanhar um sorvete, de repente, atrás daquele monumento, uma catedral de mulher, a mais bela que já vi, um gigante malhado, um ferrabrás, um cara com um metro e noventa de altura. Olhando para aquela montanha de músculos imaginei como seria uma patada daquele animal. Respirei fundo e enfrentei. Estava dizendo a Carmem, como é linda esta cidade. Ele, de cara trancada, falando entre os dentes, detonou, ?É linda mas tem dono?. Fui saindo de fininho, gracias, buenas tardes, adios. ? Adios, non! Vamos beber uma cerveja. Estou indo à tourada, olé ! (*) É ex-deputado, ex-senador e ex-governador de Roraima.

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