loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O cad�ver no arm�rio

Ouvir
Compartilhar

| Cláudio Vieira * Foram oito anos. O governo foi muito bem, obrigado! Nenhum defeito, nada errado, toda e qualquer irregularidade acaso encontrada, a culpa estava em outro lugar, menos no Executivo. As críticas, essas eram enfrentadas com veemência frenética, impensável questionar tão bom governante. Quem quer que se atrevesse a contrariar o mandatário ? a pose era de mandante ? sentiria a raiva instantânea, o esbravejar agudo, o chamamento ao confronto, o aniquilamento verbal imediato. Ele, só ele, o paladino do bem. Nascera para consertar os erros dos seus antecessores e jamais iria consentir qualquer oposição aos seus desideratos. Todos, fossem autoridades ou não, tinham que calar e assentir, não quisessem eles enfrentar a quase divina ira. Quase, por enquanto, claro! Um dia, quem sabe? O alagoano médio a tudo assistia, no início, abismado com os destemperos do governador; depois, aplaudindo tamanha força e destemor. Aquele sim, o político ideal, necessário a por em ordem as coisas por aqui. Melhor não haveria, como jamais houve. Fibra, tinha aquele jovem! Honesto, era também e aquelas reações iradas, mesmo que com exagero afetado, só podiam ter brotado dessa qualidade ímpar e poucas vezes encontrada em homens públicos: a honestidade. Nesse clima, foi reeleito. Afinal, para que outra pessoa a sentar naquela cadeira executiva? Pena que reeleição só possível uma vez... La donna á móbile! A glória terrena, também! Foram necessários apenas pouco mais de vinte dias para perder uma eleição na qual era o favorito ao Senado. Bom, vão-se os anéis, ficam os dedos. Afinal, continuaria mandando, mesmo por interposta pessoa, pois o novo governador, surpreendentemente eleito, tivera o seu apoio. Esse o problema do poder: querer sempre o poder, pois, já disse Hobbes, ?não se pode garantir o poder senão buscando mais poder ainda?. Logo aos primeiros estudos, o governador Téo Vilela e sua equipe constataram que a situação não era tão maravilhosa como apregoada pelo antigo governante. Aliás, nada maravilhosa. Caótica, até. A verdade era outra, e nada agradável. Tranqüilo, calmo, mas firme, sério, consciente da responsabilidade que lhe pesa, iniciou sua administração cumprindo o dever para com o povo, informando-o de tudo, abrindo a porta do armário, revelando o cadáver ali escondido e, o mais importante, adotando as medidas, mesmo que duras, mas inevitáveis. Parece ter findado a era do domus sua, restabelecida a res publica. É o que lemos todos os dias nos jornais. E é assim que esperamos permaneça. (*) É advogado militante.

Relacionadas