Opinião
Paz dos cemit�rios - Editorial
Infelizmente, em termos de vítimas ligadas à política, o primeiro crime de morte do ano aponta para os mesmos andamentos da última chacina do ano passado. Ainda no calor da disputa eleitoral, a chacina que vitimou o prefeito da cidade de Roteiro (e mais três pessoas) chocou a opinião pública. Como não poderia deixar de ser, esse acontecimento sangrento virou tema de campanha de vários candidatos. Mas, lamentavelmente, passaram as eleições, passa o tempo, e nada de concreto em termos de apuração é apresentado ao público. Neste janeiro, nem bem o novo governo assentou-se na cadeira e mais um assassinato tira de cena uma liderança política ? desta vez o vice-prefeito do Pilar. E o tempo está passando e o mesmo resultado vai marcando os passos iniciais da investigação: nada. Quais os suspeitos pela chacina de Roteiro? Quais os suspeitos pela morte do vice-prefeito do Pilar? Para ambos os casos, a opinião pública continua sem respostas. Para ambos os casos, apenas os mortos são certezas. E se olharmos um pouco mais para trás constataremos que as dúvidas multiplicam-se a cada indagação sobre os crimes que envolvem política em Alagoas. Interrogação é o sinal recorrente para muitos crimes em nosso Estado, particularmente nos casos mais escabrosos. A sociedade cobra uma mudança de resultados nessa realidade. Todos os candidatos prometem mudanças radicais no item segurança pública, mas entra governo, sai governo, brigam os que entram com os que saem, mas o que tem mudado, em termos concretos, no tocante aos resultados na segurança pública e na redução da impunidade? Desgraçadamente, os ouvidos alagoanos vão sendo submetidos a um monocórdio silêncio pós-tiros e a paz dos cemitérios vai criminosamente se afirmando.