Opinião
Um ser especial
| Lysette Lyra * É velho o conceito de que sogra e genro têm que ser inimigos íntimos. Mas dentro da minha família essa opinião nunca prevaleceu. Costumamos, em todas as gerações que vivi, respeitar e apreciar os dotes positivos dos que entram para o convívio familiar. Claro que tivemos a sorte ou, talvez, a sabedoria de escolher pessoas qualificadas para membros de nosso clã, e assim coexistir com seres de agradável entendimento. Minha avó adorava meu pai, minha mãe gostava muito de meu marido, minha filha é muito amiga do esposo de minha neta e eu tenho grande admiração e afeição por meu genro. Acho que a sogra somente se torna inimiga dele quando vê sua filha maltratada. O mais é, apenas, lenda. É a meu genro, José Carlos Maranhão, que dedico esta crônica, aonde vai todo meu apreço. Considero-o um dos homens mais completos que já conheci. Culto, trabalhador, sociável, correto, responsável, e, também, fascinantemente irônico em certas apreciações. É realmente uma pessoa de agradável convivência. Marido dedicado e atencioso está sempre pronto a considerar os desejos de minha filha. Pai amantíssimo é adorado pelos três filhos que encontram nele o apoio e a compreensão esperada. Como parente é sempre cortês. Nele os amigos descobrem a dedicação e a lealdade. É aquele patrão que sabe dar ordens com afável autoridade, sendo respeitado e amado pelos que com ele trabalham. Mecenas por vocação está sempre pronto a ajudar instituições culturais, consciente de que a cultura é o caminho mais certo para o engrandecimento de uma civilização. Cronista nato sabe transportar para seus artigos informações sobre os mais variados assuntos. Seus relatos de viagem são de uma leveza e graça encantadoras, sem deixar de transmitir a riqueza de seus conhecimentos. José Carlos Maranhão nasceu em Aliança, Pernambuco. Casando-se com uma alagoana, adotou esta terra como um dos mais fiéis de seus filhos. Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade do Recife, desde os 21 anos de idade dedicou-se ao fabrico do açúcar e seus derivados na Central Açucareira Santo Antônio, propriedade de seu pai, Ernesto Gomes Maranhão, empregando milhares de indivíduos e colaborando para o desenvolvimento do Estado. Foi, com dedicação, diretor do Hospital do Açúcar e da Five Lille, empresa de origem francesa. Para melhor se entender com os sócios de além mar, aprendeu a língua de Rousseau em dois meses. Ocupou, também, a diretoria da Cooperativa e do Sindicato dos Usineiros de Alagoas e, ainda, a da Associação Nacional de Produtores de Álcool. Em singelas linhas procurei traçar o perfil dessa pessoa admirável que tenho o mérito de possuir, não como genro, mas como um filho e amigo. (*) É escritora.