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O impacto psicol�gico da televis�o

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| José Medeiros * Creio que ninguém duvida da influência dos programas de televisão sobre valores, comportamentos e opiniões dos que a assistem. De norte a sul, vestuários são copiados, músicas viram mania, palavras e sotaques são imitados. Se aceitarmos a estatística de que os adolescentes e jovens vêem, aproximadamente, 24 horas de televisão por semana, concluiremos que a TV concorre com o número de horas que os alunos permanecem em sala de aula. Encontro uma referência ao filme Rede de Intrigas, exibido na década de 80; retrata uma cena em que o locutor ironiza os telespectadores, afirmando que eles de tanto ver televisão terminavam confundindo ficção com a vida real. ?Vocês estão começando a pensar que a TV é a realidade e que suas próprias vidas são irreais. Isto é loucura?; repetia com ênfase. Não são poucas as pessoas que hostilizam atores e atrizes que desempenham papéis de personagens perversas, malvadas e de má índole. A televisão é um entretenimento de poucos concorrentes. Diferentemente da palavra escrita tem condições de exibir cenas, com imagens que falam muito mais do que as letras. A novela é um modismo nacional, motivo de comentários e análises no dia seguinte. Quantos fatos marcantes e histórias relevantes, adormecem nas cinzas do esquecimento, porém, se fossem exibidos pela TV, contribuiriam para um melhor conhecimento da realidade brasileira. A TV afeta o perfil psicológico de crianças e adolescentes pelo excesso de programas caracterizados por acentuada violência, por cenas de sexo e uso de drogas. Conta-se que o ator Arnold Schwarzenegger, que trabalhou em tantos filmes de ação, quando candidato ao governo da Califórnia, encontrou muita resistência entre políticos locais. O slogan de seus adversários era sugestivo: ?Se ele já matou 350 indivíduos nos filmes em que trabalhou, poderá matar 350 mil quando sentado na cadeira de governador?. Todos desejam uma televisão que seja veículo cultural e de boa informação. A TV, socialmente útil, aborda temáticas de importância vital, com orientações e proveitosos esclarecimentos. São de valor inestimável abordagens de assuntos do cotidiano, embutidos, muitas vezes, no contexto de novelas: síndrome de down, aids, álcool, drogas, eutanásia, clones, entre outros. O incentivo às atitudes positivas e raciocínios críticos é de bom efeito. Pelo reconhecimento do impacto desse novo poder há uma preocupação crescente com suas linhas de atuação. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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