Opinião
A fantasia
| Gilberto de Macedo * É tema de ricas sugestões, dado o complexo simbolismo que o compõe. Dotado de múltiplos aspectos no âmbito de filosofia, e particularmente, na psicanálise. Nesta, cada escola tem sua visão com várias abordagens de interpretação. E controvérsias significativas. No presente mesmo informalmente, tentaremos explicações em linguagem comum acessível. A fantasia é uma espécie de existência interna. Pela imaginação, cria imagens na mente. Essas, constatadas pela inteligência, que lhes dá sentido. E insinuadas no pensamento que lhes dá significando formalizados pela linguagem. Vê-se, então, a riqueza da fantasia. Fantasia que é forma alegórica, representativa de desejos, sonhos, ideais, anseios e aspirações pessoais, os quais foram impedidos de realização por obstáculos externos insuperáveis, tais verdadeiras frustrações. Portanto, fantasia como forma de criatividade, que ocorre qual uma compensação afetiva. Por isso é que essas imagens tendem a compensar tais essências, dando à pessoa, alegria e prazer. Isso, sobretudo, porque naquele instante, acredita-se no que se está imaginando, imagem que, mesmo desaparecida, deixa uma lembrança, por muito tempo até por toda a vida. Daí que fantasiar, seja importante, saudável e energizante, mesmo quando acontece fugazmente. Isso diz da função da imaginação no quadro das faculdades mentais. Atua como mecanismo de defesa, e compreensão através de imagens de beleza, fantasia e conquista, de saber, da boa conduta. É forma precisa de criatividade, como diz Joseph Arnold: ?A arte tem limites, a fantasia não os tem?. É que na arte, há o limite do esforço para se concretizar na realização externa da obra. Na fantasia não; tudo está em si mesma, na imagem na qual se acredita. Sobrepõe-se, assim, à realidade material e à argumentação das dúvidas. Tudo nela está pronto. Mesmo que não seja todo o tempo de vida, pois não se há de desprezar a presença da realidade. Esta, do mundo externo, da natureza e da sociedade, que se impõe através dos órgãos do sentido e percepção, no primeiro caso; e no segundo pela língua falada e escrita. Mas, a fantasia não se exaure. Está, de quando em vez, a nos enriquecer. Fantasiemos, pois, nos intervalos da realidade. Criando belas fantasias, criamos a vida de encanto e felicidade. (*) É médico.