Opinião
Fapeal relega desenvolvimento cient�fico e tecnol�gico
| José Santino de Assis * Alagoas, sob o empenho de um grupo de pesquisadores, foi agraciado com a criação da Fapeal para apoiar a pesquisa e a formação de recursos humanos, visando o seu desenvolvimento científico e tecnológico. O ato foi louvável em todos os aspectos. Todavia, na sua condução, há um descumprimento dessa missão. Três pontos são destacados: O Conselho ? o método atual da formação: parte por indicação e parte por eleição resultante de campanha política, não atende a melhor qualificação que ele deveria ter, porque lhe compromete a credibilidade científica. O melhor para a Fapeal seria o seu Conselho ser formado pelos pesquisadores mais competentes nos momentos de renovação. Para a escolha não bastaria ser doutor apenas, precisaria ter, também, o melhor currículo em pesquisas. Como estímulo à conquista dessa nobre e relevante causa, os selecionados receberiam, ao fim do mandato, a premiação máxima do mérito científico estadual. Os Recursos Humanos ? A política dessa formação está sendo garantida. Mas a do seu aproveitamento pelo Estado está sendo nula. Quer dizer, ele remunera bolsas para candidatos que ficam dispensados da obrigação de desenvolver a pesquisa em temas expressos no plano estadual de desenvolvimento. A liberdade do candidato pesquisar sobre o que bem entender e no lugar que melhor lhe convier, desvirtua o sentido do investimento. O programa DCR do CNPq ? A concessão de bolsas aos doutores sem vínculo empregatício ou fora do mercado de trabalho do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, pelo sistema de parceria com as FAPs estaduais, foi a de lhes confiar o desenvolvimento dos seus próprios Estados. Mas isso não ocorre na prática. São dados dois exemplos: um geral, sobre as três regiões; outro particular, sobre o nosso Estado. Geral ? A medida foi para beneficiar os Estados e seus desempregados doutores. No entanto, essas regiões escolhidas viraram mercado de trabalho para os doutores do Sul e Sudeste. De fato, os autóctones não podem pesquisar nos seus Estados porque o programa proíbe. A medida é colonizadora e discriminatória. Sendo nossa a carência, a política justa seria o contrário, a de abrir mercado lá, para os doutores de cá. Ou, no mínimo, a troca de experiências entre eles, sob a forma de estágios para os recém-titulados, ou de fusão de metodologias para os já consagrados. Particular ? Alagoas subvenciona, via Fapeal, bolsas para qualquer lugar do Brasil ou do exterior. Como não dispõe de um plano de desenvolvimento do seu território, não colhe nenhum fruto desse investimento. (*) É doutor em Geografia.