Opinião
Alagoas no frevo - Editorial
Conforme divulgado em bela matéria de capa, ontem, no nosso Caderno B, o frevo comemora um século de passo. Uma data memorável para um marco (fincado no Nordeste) da cultura brasileira. Certos estão os pernambucanos em se arvorar em ?pais? desse fervente estilo carnavalesco. Afinal, como metrópole nordestina, abrigou no começo do século passado a gênese dessa forma de festejar o carnaval. Renomados historiadores pernambucanos, como Mário Melo, deixaram seu testemunho de que elementos componentes para a criação do frevo vieram também de outros estados nordestinos. Melo citou, em um de seus textos, que por volta de 1900 havia testemunhado, na comunidade maceioense de Fernão Velho, um estilo de música que ele mesmo reencontraria, poucos anos depois, integrado às primeiras bandas de frevo do Recife. Muitas foram as colaborações para a invenção do frevo, que, inegavelmente, tem sua certidão de nascimento carimbada na cidade do Recife, ninho onde indiscutivelmente se desenvolveu. Mas, ao contrário de outros gêneros musicais (e correspondente estilo de dança), o frevo se disseminou por vários outros Estados e esta particularidade não pode ser menosprezada neste momento de aniversário. A Bahia, por exemplo, é mãe de antológicos frevos ? e o próprio trio elétrico, ao ser inventado (montado numa ?fobica?) por Dodô e Osmar, tocava frevo pelas ruas soteropolitanas. Alagoas tem uma rica tradição de frevo. Compositores e passistas alagoanos sempre se orgulharam de peitar nossos vizinhos pernambucanos ? isso nos anos de ouro do estilo, quando o Moleque Namorador atraiu até a revista O Cruzeiro, em reconhecimento ao passo feito pelo nosso gazeteiro. Por suas próprias raízes, Alagoas não pode deixar de também comemorar esse aniversário. E deve fazê-lo homenageando os grandes nomes do frevo alagoano.