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Opinião

Amizade que parece estranha

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| Dom Fernando Iório * Há cachorros e gatos que se podem tornar amigos de homens e de mulheres e a quem se pode contar tudo brincando e rindo. Estudos psicológicos têm revelado que não poucos idosos se tornam mais, mentalmente, ativos quando passeiam com um animal de estimação pela calçada, pela praia, acariciados pela brisa da manhã ou do entardecer. Pode, entretanto, essa amizade chegar às raias do exagero. Por vezes, pelo simples fato de não confiarmos nas pessoas, conversamos com animais de estimação. Santo Antônio, certa feita, em Dimini, preferiu pregar aos peixes, vez que homens e mulheres desprezavam a Palavra de Deus. Ocasiões existem em que a linguagem é fonte de mal-entendidos. Nem mais, nem menos, sente o ser humano, nessas situações, que será ouvido junto ao animal. Consideram as crianças seu animal de estimação seu melhor amigo. Ele não as abandona. Podem revelar seus menores ou maiores segredos e ele guarda sagrado silêncio. Se acaso, ou voluntariamente, contava encantadora jovem, educada no campo, que, após as aulas ia, de logo, ao estábulo, onde falava às vacas tudo quanto havia acontecido na escola. Sentia-se, de certa maneira, aliviada. Ali era ouvida, ao passo que seus pais não dispunham de tempo para atender seus sentimentos e vivências. Fica, de logo, muito bem entendido como a amizade a um animal pode tornar-se um bom treino para a comunicação com as pessoas. É bem, no entanto, que se veja qual a atitude interior que possui a pessoa na amizade a determinado animal. Mas, agora entra a dúvida: se você mantém a amizade a um animal porque detesta ou despreza tal ou qual pessoa, de certo essa amizade só fará crescer e solidificar esse desprezo, intensificando, cada vez mais, a solidão de quem detesta. Jovem senhora, violentada, adolescente ainda, nunca obteve ação favorável dos terapeutas. Entretanto, no momento em que conversava com seu papagaio e o tratava como ?meu louro querido!..., era invadida por profunda emoção, mormente naqueles momentos em que o ?louro querido? repetia algumas de suas palavras. Não foi diferente o profundo amor que o Pequeno Príncipe desfrutava pela raposa que lhe ensinara a nadar no oceano do ?cativar?. O exemplo de Jesus não foi menor: amava os animais, desde os maiores (como o camelo que passa pelo fundo de uma agulha) até os menores (como o mosquito que atormenta o leão). (*) É bispo de Palmeira dos Indios.

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