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Fortunas para matar - Editorial

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Em pleno século 21 ainda é estarrecedor o volume de recursos investidos para matar. O orçamento americano para a guerra no Iraque e no Afeganistão é uma barbaridade: 142 bilhões de dólares! Para se ter uma idéia, em termos militares, todo o orçamento brasileiro para gastos com as forças armadas, para todo o ano de 2007, equivale a apenas 47 dias de guerra dos americanos no Iraque e no Afeganistão. É verdade que o orçamento militar do Brasil não dá para servir de referência, mas a comparação dá uma idéia perfeita do despropósito dos custos das guerras. E a conta americana, na verdade, vai mais além do que os valores anunciados por Washington para esses dois países invadidos. Para a rubrica genérica ?conflitos?, segundo a mídia especializada ?a administração Bush está destinando US$ 245 bilhões de acréscimo aos US$ 100 bilhões de suplementação autorizados no fim do ano passado?. É muito dinheiro, em qualquer hipótese. E o chocante, neste número, é o destino confesso de tal dispêndio: matar. Como esse dinheiro não será queimado, nem explodido, e muito menos enterrado, é óbvia e ululante a conclusão de que a indústria da guerra (e da morte) ainda é uma das mais lucrativas atividades do mundo. Tristíssima constatação para um início de século no qual foram depositadas incontáveis esperanças de paz e prosperidade. Como esses conflitos em curso não esmaecem e novas áreas de atrito são estimuladas todos os dias, é de se supor que a indústria da guerra seguirá em sua voracidade, consumindo bilhões de dólares e ceifando milhões de vidas. O que se pode fazer para estancar tamanho horror? Redobrar os esforços pela Paz é missão recorrente de todas as pessoas de boa vontade. Este é um indispensável esforço global de cidadania, de humanidade.

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