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Um c�ncer incontido - Editorial

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Notícia publicada anteontem, dando conta da ação de quadrilhas na periferia da cidade de Arapiraca, confirma que os procedimentos criminosos fazem escola, e são espalhados por todo Brasil, a partir dos grandes centros urbanos. Até pouco tempo, o controle por parte de gangues organizadas sobre áreas povoadas nas periferias era algo que só se ouvia falar no Rio de Janeiro e em São Paulo. Especialmente as tragédias cariocas sempre foram as mais divulgadas, e os dramas vividos pelos habitantes das favelas eram temas de pungentes reportagens por todos os veículos de mídia. E, informação comum, em praticamente todas as ocorrências policiais nessas áreas, era a de que quadrilha tal dominava tal morro, que aqui e acolá os bandidos impunham ?toque de recolher?, cobravam pedágios, forçavam ?feriados? quando bandidos famosos morriam. Muitos pensavam: isso são coisas de cidades grandes. Muitos pensavam que o crime (altamente) organizado era coisa das metrópoles. Hoje, caso após caso, começa-se a perceber que o flagelo do crime organizado castiga todo o País. Em praticamente todas as capitais começam a se banalizar as ações das quadrilhas especializadas. As mesmas modalidades de seqüestros, assaltos, roubos de veículos, tráfico de drogas ? tudo isso vai se tornando lugar comum. E este câncer não está a multiplicar metástases apenas nas capitais dos estados. O crime organizado vai se alcançando as cidades de médio porte e especialmente as periferias urbanas, bolsões de exclusão social, vão se tornando semelhantes em miséria e em alvo de gangues que se aproveitam da ausência e da incompetência do estado nessas áreas. Em Arapiraca, nossa maior cidade interiorana, as quadrilhas se enraízam pela periferia, traficando, matando e impondo a ?lei do silêncio?. Até quando?

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