Opinião
Carnaval de outrora
| José Sebastião Bastos * ?Carnaval, no baixo latim, carnevale. Os dias próximos e anteriores à quaresma, e principalmente os três dias antes da quarta-feira de cinzas?. É o que diz a Enciclopédia e Dicionário Internacional, acrescentando que em toda a antiguidade, os diferentes povos instituíram festas alegres. Entre os egípcios encontram-se as festas de Isis e do boi Apís; entre os hebreus, a festa das sortes; entre gregos, as bacanais; em Roma, as lupercais, as saturuais. Eram festins, músicas estridentes, danças, disfarces etc. Ao que parece o carnaval predominava justamente nos países que sofreram a influência de Roma, a latinidade em outros termos. Reportando-se ao carnaval brasileiro, notabilizou-se, tal festa foi dominada pelos clubes alegóricos que cederam lugar às Escolas de Samba, no Rio de Janeiro, as quais se estenderam posteriormente à capital paulista. Em Salvador, a alma baiana excede-se em delírios e entusiasmo com a entrada dos estridentes trios elétricos. Mergulhando um pouco no passado, o frevo pernambucano, cuja música, completando 100 anos de existência, neste 2007, celebrizou-se através de clubes de rua, dando ênfase ao Toureiros de Santo Antônio e ao famoso Vassourinhas. Fala-se, inclusive, que a respeito desses dois tradicionais clubes, tiveram como êmulos aqui em Maceió, o Vassourinhas e Morcegos, vindo logo em seguida o Pás Dourados, Vou Botar Fora, Cavaleiros dos Montes, Casa Dura, Tromba d?Água e, ainda hoje, o Vulcão e o Sai da Frente, valendo acentuar o grande número de blocos com seus participantes bem fantasiados. É de se aplaudir e louvar, recentemente, a criação do já conhecido e admirado Pinto da Madrugada, arrebatando milhares de foliões, e, mantendo no Estado de Alagoas, o frevo, característica do nosso carnaval, de Recife e Olinda. Esse frevo centenário, com suas coreografias que se distinguem pelo passo e nela os dançarinos, fazem arrojadas maravilhas e de movimentos elásticos, tivemos aqui um grande exemplo , o famoso passista nacionalmente conhecido, Moleque Namorador. Nessas ligeiras recordações das épocas carnavalescas maceioenses, esperamos que nossas autoridades não permitam o desvirtuamento do carnaval de outrora. (*) É vice-tesoureiro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e vice-presidente da CBF.