loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Amor ao carnaval

Ouvir
Compartilhar

| José Medeiros * No último fim de semana, a conversa girou em torno de carnaval. Conversa vai, conversa vem, surgiu uma pergunta que ninguém que estava presente soube responder: quando começou o carnaval no Brasil? Não se sabia ao certo. Através da internet, obtivemos a resposta. No Brasil, os registros apontam que o primeiro carnaval foi realizado em 1641, em homenagem a D. João VI. Bate-papo acalorado, a ingestão de bebidas alcoólicas já se transformava em alegria exagerada por parte de alguns. Surgiu um desafio: contar, em detalhes, um episódio ocorrido durante um carnaval. Poderia ser uma história de amor, decepção, conquista ou fracasso. Foram tantas as histórias ouvidas que preencheriam um livro de contos carnavalescos. De repente, olharam para mim e perceberam que eu estava pensativo. Em meio a tanta alegria, uma lembrança estava fixada em minha mente. Uma história vivida, há muito tempo. Exigiram que eu a relatasse em detalhes. Contei que, numa noite de domingo de carnaval, encontrava-me de plantão no pronto-socorro e fui chamado para ver uma paciente: desmaiada, lívida e sem sinais de recuperação. Usava uma bonita fantasia carnavalesca. Após rápida ausculta, constatei que apresentava graves lesões no coração. Quando voltou a si, contou-me que morava no Rio de Janeiro e sabia ter problemas cardíacos. Entretanto, vinha todos os anos brincar no carnaval de Maceió, com as amigas que aqui possuía; no Rio, seus pais não permitiriam. Sabia o perigo que representava um esforço físico maior, mas, dizia com convicção: ?se tenho de morrer, prefiro morrer em pleno carnaval, que é a festa de minha predileção. Gosto da vida, e a vida gosta de quem gosta dela; tenho certeza de que ainda vou brincar muitos carnavais?. Recomendei-lhe repouso e retorno ao cardiologista, assim que o carnaval terminasse. Fui atender a outros pacientes. Uma hora depois, uma enfermeira me informou que um grupo de amigas veio buscá-la. Saiu, sem permissão. Voltei ao hospital na quinta-feira e fui informado de que ela morreu na madrugada da quarta-feira de cinzas, enquanto dançava ao som de músicas carnavalescas. A história comoveu a todos. Um minuto de silêncio se seguiu, então, um dos presentes levantou o copo e gritou: alegria, alegria, tristezas não pagam dívidas, vamos brindar o carnaval e o fato de estarmos todos vivos e aparentemente saudáveis. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

Relacionadas