Opinião
Estado e capitalismo de m�os dadas
| Sérgio Costa * Robôs e computadores ocupam os espaços que até então eram do homem e exalam um resíduo terrivelmente devastador. Seus vírus não exterminam com a rapidez e a impetuosidade dos mísseis nucleares, aniquilam lentamente, por meio da fome, do orgulho ferido e do ódio. Esse resíduo tem um nome: desemprego. Surge nas sarjetas da promiscuidade público/privada e vai diretamente para o cérebro humano, onde fica alojado triturando o caráter e a consciência. O homem berra, sangra e se humilha, mas de nada adianta, a explosão é inevitável. Com o equilíbrio e a serenidade destruídos, ele não consegue medir as conseqüências de seus atos. Se alguém lhe oferece bebida ou droga, encontra uma forma de esconder suas mágoas. Se pega uma arma, pensa em fazer justiça com as próprias mãos. O desespero é tanto que o marginalizado não consegue enxergar as causas do seu infortúnio e, assim como as armas da guerra, muitas vezes erra o alvo e tira a vida de pessoas inocentes. Esse quadro não é paranóico; enxergamo-lo em cores negras. O que fazer então para restaurá-lo? Afirmo, antes, que é impossível controlar os avanços da ciência. Afirmo, também, que empresário nenhum utiliza a tecnologia para gerar desemprego, e sim, para baratear o preço de seus produtos e sobreviver à competitividade. Vale dizer, neste sentido, que o capitalismo não é o inimigo, pelo contrário, é uma das ferramentas que a máquina estatal dispõe e deve utilizar para produzir empregos. Aos governantes cabe a tarefa de preparar um ambiente confiável e favorável ao bom desempenho desse importante instrumento de inclusão social. Neste passo, além de investir em educação, saúde e infra-estrutura, têm o dever de garantir estabilidade econômica e segurança jurídica ao investidor. Este, como prêmio pelo esforço não só de preencher as lacunas deixadas pela tecnologia, é merecedor de bons lucros. Nesse clima sincero e harmonioso, o capitalismo sentirá orgulho de devolver ao Estado os tributos que recebeu da sociedade. Pode parecer utópico, mas só poderemos pintar com cores vivas e mais alegres esse quadro de violência e criminalidade que assusta e deprime a todos nós quando Estado e capitalismo se derem as mãos na busca do nosso desenvolvimento ético, econômico e social. O contrário disso é crime sem castigo, é cinismo, é hoje. Aliás, vendo o que os homens sensatos vêem angustiados, o empresário Jorge Gerdau não controlou sua indignação: ?Crescimento baixo é assassinato em massa?, (*) É contador.