Opinião
A inoc�ncia perdida
| Benedito Ramos * A mudança na lei para antecipação da maioridade penal para os 16 anos, parece estar com os dias contados. É assim que o Brasil resolve problemas sociais históricos, de larga complexidade, com decisões simplistas. Foi assim com as cotas das universidades para os afrodescendentes, justificado pelas pesquisas do IBGE que apontam 46% da população brasileira nesta situação. Foi assim com o ?Estatuto do Desarmamento?. Agora o problema da violência urbana e do crescimento da marginalidade entre os adolescentes, não parece ter razões de ordem social. A inocência é que está sendo perdida mais cedo. E isto não deixa de ser uma verdade. E um exemplo é que este ano, nosso Projeto Coro dos Pequenos Cantores de Jaraguá, amparado pela Associação Comercial de Maceió, reduziu a idade máxima de 12 para 9 anos. E por que? É que foi observado um estado de ?adolescência mental?, entre a faixa etária dos 10 e 12 anos. O assunto foi observado o ano passado, quando o coro estava com 70% de crianças entre os 6 e 9 anos. Os 30% eram uma grande diferença. Começamos a administrar transtornos diários com brigas, tapas, murros, tudo ilustrado por um vocabulário e atitudes preocupantes. O que faz uma criança pensar e agir como adulto? A razão é que a sociedade não lhe dá chance para ter uma infância. Como um fruto colhido, ainda verde, a criança é arrebatada do seu estado de graça, próprio da idade, seja pela miséria ou pela violência, principalmente, a sexual. As crianças entram em um mundo disforme, engendrado por uma cultura de sobrevivência visceral, que não atende a ética nem está preocupada com a moralidade. Aliás, o que é mesmo imoral neste país de ?mensaleiros?? Deve ser o patético roubo dos vasos do cemitério do Caju, pelo estilista Ronaldo Esper. Porque afinal de contas quando o ?Seu? Francisco achou a carteira com dez mil dólares e devolveu foi homenageado até no Planalto. A questão é muito grave, começa na divisão das riquezas e na insistência do governo federal em manter esta política assistencialista. Todo mundo achou um escândalo quando Cláudio Lembo, governador de São Paulo disse o ano passado: ?Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa. A bolsa da burguesia vai ter que ser aberta para poder sustentar a miséria social brasileira, no sentido de haver mais empregos, mais educação, mais solidariedade, mais diálogo e reciprocidade de situações?. Mas, é mais fácil construir cidades carcerárias, cadeiões e prisões de segurança máxima. (*) É escritor e historiador.