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Opinião

O Pinto e o Galo

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| Marcos Davi Melo * Concluímos mais um desfile do Pinto da Madrugada e novamente não ocorreu nenhum episódio de violência. Isto com mais de 50 mil foliões se esbaldando no calorão da Pajuçara. Este fato não pode ser desprezado em uma época de tanta violência em nosso País. Os bandidos extrapolaram os limites da barbárie, incendiando automóveis com gente presa dentro e arrastando criança indefesa pelas ruas em carro roubado no Rio de janeiro. Em Maceió, após mais uma temporada vitoriosa das prévias carnavalescas, evento que poderia incrementar o turismo local se houvesse apoio do Poder Público; hoje, sábado de Zé Pereira, é o início do carnaval tradicional, embora ele já esteja rolando a mais de 30 dias nas ladeiras de Olinda. Maceió, apesar dos titânicos esforços do bravo Marcial de Lima, deverá ter um carnaval mais pra praia do que para folia. Daí, os que optarem por praia terão em Maceió (apesar dos congestionamentos da rodovia para a Barra de São Miguel) uma excelente opção. Mas, os que gostam de um bom e autêntico carnaval, a melhor opção é Pernambuco, que este ano, além de maracatu, caboclinhos e dos blocos líricos desfilando pelas ruas, comemora os 100 anos de frevo. Hoje, é o dia do Galo da Madrugada. Participo do maior bloco do mundo, ininterruptamente, há mais de 20 anos. Neste período vi uma grande investida do Axé, como vituperou gabola o Caetano Veloso, mas houve forte reação e o frevo voltou a predominar. O Galo é o início e ao mesmo tempo a grande apoteose do carnaval pernambucano. Também no sábado de Zé Pereira ocorre a abertura oficial do carnaval de Olinda. Lá pros altos da cidade, no largo do Bonsucesso, exatamente às 24 horas, sai o Homem da Meia Noite, boneco gigante elegante, que se veste sempre de verde e branco. O acompanhei muitas vezes e hoje se tornou inviável para mim. Tanto pelo cansaço decorrente do Galo, como pela insegurança que toma Olinda a estas horas. Violência que transtornou o País recentemente e será uma preocupação a mais neste carnaval. Embora, pela quantidade de gente envolvida na folia em Pernambuco, que faz um carnaval aberto, sem cordas, democrático, a ali registrada possa surpreender pelo baixo índice. Mas, a violência, mazela maior a nos ameaçar, precisa ser tratada com o rigor que se faz necessário. E isto passa obrigatoriamente pelo endurecimento da legislação penal. Não tem outra saída. (*) É médico e professor da UNCISAL.

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