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A vida s� gosta de quem gosta dela

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| José Medeiros * Alguns fatos me sensibilizaram neste carnaval. Entre eles, as homenagens ao Braguinha, um compositor de minha preferência, recentemente falecido. Conheci Braguinha e lhes conto as circunstâncias desse encontro. Meu irmão, Rui Medeiros, jornalista, trabalhava no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro; foi escalado para realizar uma entrevista com o compositor. Acompanhei-o e fiquei feliz em conhecer um homem alegre, jovial, para quem a música era o componente maior de sua vida. Campeão da folia, especializado em marchinhas, gravou alguns clássicos da folia momesca. Não era sem justas razões que dele se dizia: ?Braguinha é o retrato cantado da alma jovial do Rio de Janeiro?. Neste carnaval ouvi algumas de suas melhores marchinhas: ?Uma andorinha não faz verão, Balancê, Chiquita Bacana, A mulata é a tal, As pastorinhas e As touradas de Madrid?. Braguinha costumava dizer: ?A vida só gosta de quem gosta dela?; e, assim, viveu 90 anos, aplaudido e reverenciado. Uma outra referência que não poderia deixar de citar: o Pinto da Madrugada e o Baile Municipal contagiam cada vez mais os alagoanos, num retorno ao melhor do frevo e da tradicional música momesca. A Seresta da Pitanguinha tem apresentações cada vez mais empolgantes. Eu morava na Pitanguinha, quando a Seresta dava os primeiros passos. Causava admiração ver aquele grupo musical desfilar nas ruas, tocando e cantando, canções do melhor repertório da música popular brasileira. Ficava feliz ao identificar, entre os seresteiros, os médicos Emanuel Fortes Cavalcante, Hyrtes, Benigna Fortes, Iara Constant, Isaque e Márcia Soares, José Lima e Adelaide. As caminhadas da Seresta viraram mania. Com o tempo, fui distinguindo entre os participantes: os Libardis (Margarida e Claudemir), Salete, Dalton Melo e tantos outros, a quem peço desculpas por não referi-los como merecem. Fiquei orgulhoso da apresentação desse grupo no ?Baile de Máscaras?. Os jovens costumam dizer: ?Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu?. Pois bem, podemos aplicar essa citação à Seresta da Pitanguinha, que desponta com muita alegria em nossos carnavais. Guardo, em meus arquivos, um artigo publicado na Gazeta de Alagoas sobre os Seresteiros da Pitanguinha: ?Temos uma comunidade musical resgatando um estilo que marcou época, em oposição à agitação e barulheira que tomou conta dos ritmos musicais nos últimos tempos?. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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