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Nº 5692
Opinião

Como superar a tirania do tempo

| Dom Fernando Iório * A expressão já é costumeira: o tempo é curto, não dá para fazer nada. Em meio a tantas exigências e compromissos, guia-se a sociedade moderna, as 24 horas de cada dia, pelo relógio. Corre-se o tempo todo contra o tempo cronológic

Por | Edição do dia 21/02/2007 - Matéria atualizada em 21/02/2007 às 00h00

| Dom Fernando Iório * A expressão já é costumeira: o tempo é curto, não dá para fazer nada. Em meio a tantas exigências e compromissos, guia-se a sociedade moderna, as 24 horas de cada dia, pelo relógio. Corre-se o tempo todo contra o tempo cronológico. Aceleradas pela pressa e a loucura da globalização, fazem as pessoas mil e uma coisas e reclamam por não conseguirem comer bem, descansar o necessário, conviver com os outros, chegando mesmo a perder amizades e relacionamentos por não darem atenção suficiente aos amigos. Uma filosofia que caminha contra essa corrente está mudando a vida de muita gente em não poucos países. Trata-se do slow movement (movimento “devagar”). Em um mundo de pressa, prega essa filosofia que façamos tudo no ritmo certo. Começa a ganhar força, na Europa, o “slow food” (comer devagar). Na Itália, o “slow food” defende que devemos comer e beber devagar, saboreando os alimentos, “curtindo” seu preparo, no convívio, com os amigos. Essa atitude do sem-pressa não significa deixar de fazer as coisas, mas realizá-las com mais qualidade, com atenção aos detalhes, com menos estresse. Significa a retomada dos valores essenciais aos seres humanos, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver. Esse estilo de vida mais “desacelerado” ainda é uma realidade distante para a maioria dos brasileiros que, de modo geral, ainda estão envolvidos nessa loucura da pressa desenfreada. São vários os fatores: culturais, a busca da sobrevivência econômica, a competitividade, os vários estímulos que surgem de todos os lados, inclusive por parte da mídia que acabam por provocar uma espécie de contágio coletivo. Se um corre, o outro avança, sem ninguém saber, ao certo, o porquê e o para onde de tanta pressa. Ora, o ser humano é alguém que vive de relação e de convivência. Por muitas vezes, não consegue parar para refletir sobre si mesmo e nem mesmo para dialogar com o outro. Não há como ser feliz dessa maneira. Se, antigamente, as pessoas freqüentavam rodas de conversa, bate-papos nas calçadas e nas varandas de casa, nos cafés, teatros e cinemas, hoje querem informar-se sobre o que acontece, no menor espaço de tempo possível. Isso gera, no imaginário popular, possibilidades de maior ganho de dinheiro, de sucesso, de segurança, de apoio... Quase ninguém sai de casa sem estar a par de tudo o que está acontecendo no mundo. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios.

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