Opinião
Vias perigosas - Editorial
Dois trágicos acidentes marcaram a semana encerrada ontem. Em ambos os sinistros, famílias inteiras foram desfeitas; em ambos os casos, chama a atenção a precariedade das estradas alagoanas. Naturalmente, a falha humana é um componente presente na maioria dos acidentes, mas é fato indiscutível que as péssimas condições de sinalização e conservação das rodovias estão entre as principais causas das tragédias. A inexistência de sinalização e buracos nas pistas, em todas as ocasiões, as grandes ?aliadas? e provocadoras da falha humana na direção do veículo. Como essas duas recentes tragédias aconteceram num curto espaço de tempo, o problema está despertando maiores atenções, mas, infelizmente, esses desfechos sangrentos nas rodovias alagoanas não são fatos isolados. É importante não nos esquecermos que está sendo registrado um aumento no número de acidentes em nossas estradas. Não é problema novo a péssima conservação da malha rodoviária em Alagoas. A bem da verdade, a situação já esteve bem pior, mas as melhorias implantadas nos últimos anos ainda estão longe de alcançarem um patamar razoável de qualidade e segurança. Estradas nunca foram baratas. Investir em infra-estrutura é atitude de países que efetivamente apostam no desenvolvimento, e como essa não tem sido a opção do Brasil, nem de Alagoas, sempre estamos aquém do mínimo necessário para a segurança e eficiência do trânsito (em todos os níveis: rodoviário, ferroviário, aéreo e de cabotagem). A perda de vidas, a destruição de famílias inteiras, a grande perda de recursos ? tudo isso causado por acidentes perfeitamente evitáveis, deve alertar as autoridades alagoanas (e do governo federal) para a necessidade de se mudar esse estado de coisas. Conservar as estradas é conservar a vida, é dinamizar a economia.