Opinião
Problemas municipais
| Lysette Lyra * Como a organização das cidades é difícil no Brasil! O desperdício do erário público vai desde os supersalários de alguns grupos do governo, que legislam os seus próprios, e, naturalmente procuram aumentá-los indiscriminadamente, à corrupção vergonhosa e aos estragos com outros lances, que consomem o dinheiro da federação, que vai vazando pelo esgoto sem a menor responsabilidade dos poderes. Finalmente as verbas para as necessidades principais da Nação nunca são suficientes. Num País onde os mananciais de riqueza são tantos, tudo se perde, nada se cria, em coisa nenhuma se transforma, para parodiar o ditado. O governo que sai acaba com os recursos que recebe, sem dar satisfações. O outro que chega, mesmo bem intencionado, tem dificuldades em reger o seu torrão governado. Nada é consertado, não há cobranças do Estado. E ainda recebem a benesse dos votos populares. Já diz, sabiamente, o adágio popular: ?O povo tem o governo que merece?. Vamos a Maceió onde vivemos: cidade cujos mornos mares azuis e o sol dourado que beija as lindas praias encantam os turistas. Pólo seguro para atrair visitantes, trazendo dinheiro e emprego para tanta gente, cresceu incrivelmente nos bairros da orla marítima, nestes 20 anos que aí vivo. Mas a estrutura pública é zero. A água é deficiente e tem que ser ajudada pelos carros pipas; a energia elétrica é deficitária e descontrolada, estragando os aparelhos eletrônicos que não resistem às constantes descargas; o saneamento é quase inexistente, substituído por fossas e ?bocas de lobo? que sujam o mar, espantando os banhistas. Para agravar, a violência invadiu os principais distritos: Ponta Verde, Pajuçara e Jatiúca. Os ladrões agem em plena luz do dia e, agora, invadem os hotéis, assustando os turistas. O presidente Lula, ante os últimos acontecimentos de brutalidade, que vitimaram o menino João Hélio, profundamente consternado, disse que cenas de roubos e crimes hediondos existem em todos os países. É verdade, psicopatas e drogados estão por toda parte, mas não na proporção do Brasil e são duramente castigados. Paga-se só na orla um IPTU de R$ 2.442,00, e não temos nada quase em troca. O Prefeito Cícero Almeida tem despendido um grande esforço para melhorar a cidade, reconhecemos. Mas, as obras de profundidade são as principais. Vamos ver se ele consegue dar a feição que deseja a nossa capital. O centro de Maceió melhorou bastante, assim como certas vias do Farol. Algumas calçadas da Ponta Verde, também foram beneficiadas. (*) É escritora.