Opinião
Sina de deseduca��o - Editorial
Segue a queda-de-braço entre o sindicato dos professores e o governo do Estado. Radicalizam-se as posições, sucedem-se ações na Justiça, tornam-se mais ásperos os discursos. E, dentre todos os envolvidos, o principal prejudicado continua sendo o estudante. Em conseqüência, o grande prejudicado é o futuro de Alagoas e aí, neste quadro, particularmente estão sendo sacrificadas muitas milhares de carreiras de jovens das camadas menos favorecidas da sociedade. Ambos os lados em conflito têm suas razões. Ninguém pode cassar-lhes seus motivos, suas justificativas, mas ninguém pode se dar ao direito de desconsiderar os grandes prejuízos causados, pela contenda em andamento, àqueles que necessitam da escola pública. Infelizmente, o pior de tudo é a constatação de que este prejuízo não é novidade. Pelo contrário, esse dano terrível (de prejuízos irreparáveis ao ano letivo) é algo recorrente em Alagoas. Cabe ao governo e aos líderes sindicais a missão de modificarem suas estratégias guerreiras de forma que, no decorrer dessas batalhas salariais, não fossem causados tantos danos aos que mais necessitam dos serviços prejudicados pela greve. Infelizmente, nada de novo se apresenta no horizonte. Duelam governo e grevistas e os petardos caem nas costas dos inocentes. Impõe-se a necessidade de mudanças de comportamento e de surgimento de forças mediadoras. Num relampejar de esperança, uma reunião dominical entre autoridades da Igreja, sindicalistas, políticos e governo foi anunciada como a ressurreição do diálogo ? mas a diáfana visão do entendimento não sobreviveu ao alvorecer da segunda-feira. E o radicalismo retornou, rápido, às ruas e aos gabinetes. Mais um ano letivo perdido? Ainda é tempo de reacender a esperança (quase perdida) do entendimento. O futuro o exige.