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Opinião

Distribuidora do livro nordestino

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| José Medeiros * Participei, recentemente, em Recife, do 2º Congresso das Academias de Letras do Nordeste e do 6º Congresso da Umeal, União de Médicos Escritores e Artistas Lusófonos. Voltei revigorado em minhas convicções, de como a literatura nordestina é rica, expressiva e diversificada. Além das apresentações de trabalhos literários e culturais, a temática adotada possibilitou uma série de protestos contra a discriminação do livro nordestino. Muitas obras literárias de valor, que merecem destaque, são bloqueadas em sua distribuição por preconceitos de grandes empresas do Sudeste e do Sul. O médico e escritor Waldênio Porto, presidente da Academia Pernambucana de Letras, foi enfático ao declarar: ?A riqueza nacional brasileira reside, justamente, na diversidade. Nós, do Nordeste, possuímos uma identidade própria: étnica, histórica e de valores. Cabe-nos defendê-la. Com a franqueza que nos é peculiar podemos afirmar: há uma discriminação indisfarçável contra a cultura nordestina. Nossa cultura tem raízes telúricas, vem do âmago da terra, tem sabor e cheiro de povo e está fortemente vinculada a sua evolução. Merece nosso protesto, também, a proibição das livrarias e redes de distribuição de livros, sediadas no Sul do País, de comercializarem e exibirem em suas vitrinas a literatura nordestina?. Muitos representantes da literatura alagoana viveram e se projetaram no Sudeste. A exemplo de Graciliano Ramos, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Pontes de Miranda, entre outros, conhecidos e reconhecidos lá fora por seus verdadeiros valores literários. Entretanto, muitos outros escritores alagoanos, do melhor porte, ficaram adstritos aos limites da província, quando mereceriam destaque nacional. Durante o congresso, uma das soluções encontradas para divulgar a literatura nordestina, foi a criação de uma Distribuidora do Livro Nordestino; uma empresa de porte que integraria as Academias de Letras do Nordeste e entidades culturais. Paralelamente, merece maior incentivo o mercado consumidor nordestino, avaliado em mais de 15 milhões de leitores. A delegação portuguesa, presente ao certame, comprometeu-se em apoiar a ação da distribuidora perante a comunidade dos países de língua portuguesa. Ninguém consegue nada, se não tenta. Essa é uma iniciativa da maior importância para todos os que se dedicam ao culto da língua portuguesa. Retornei, com mais certezas do que imprecisas dúvidas, no fascínio que em mim exerce uma literatura plena de inspiração emotiva. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde

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