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“Inventar o amor...”

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|Gilberto de Macedo * Inteira razão tem o poeta Vinícius de Moraes quando canta: ?...Vamos acabar com a tristeza. É preciso inventar de novo o amor...?. Saber de poeta. Fazer uma crônica à altura do poeta não se é capaz; aqui é só uma tentativa. É que o progresso dá tudo no plano material, mas nada de felicidade. E sem esta nada vale. É total carência íntima, profunda tristeza. É que não há mais amor. Este foi obscurecido pelo tecnicismo, que gerou a sociedade de consumo, onde os interesses materiais e a mentalidade competitiva, estão na origem de todos os males, inclusive, o pior deles, que é o desprezo pelo amor. Sim, diante do que se lê, ouve, e se vê em torno, com inovações indesejáveis, no mundo inteiro, não dá para suportar tanta tristeza. Presumia-se o sentimento generalizado, cansado pela ambição e maldade dos homens: violência impulsiva individual e violência simbólica da injustiça social, violência ocasional e violência sistemática. Violência física e violência simbólica.. violência fortuita de motivação pessoal, e violência nacional e internacional. Tantas quanto são as modalidades existenciais. A época moderna contraria, assim, o ideal de vida, traindo o próprio conceito de civilização. É o artificialismo capitalista em lugar do humanismo. Instala o ódio em lugar do amor. Do amor que é razão de viver: Parece confirmar-se a advertência dos filósofos gregos quando alertavam para a tragédia humana. Assim, havemos de acompanhar o lirismo do poeta. É o veículo mais significativo para dotar a vida de suave alegria e pura beleza. É que o amor é o sentimento mais belo e perfeito. Nele estão contidos os valores todos. Amor não permite qualquer distorção de impureza. Purifica tudo que toca. É o oposto absoluto do ódio. Como disse alguém sabiamente: ?Tudo que se faz por amor não é pecado?. Inventar o amor será, pois, trazer felicidades para a vida. Tanto mais quanto a crise da sua ausência tende a se agravar. Daí a angústia do poeta. É que a deterioração reflete-se em todos os espaços móveis, do social ao individual. Deteriorada a vida sentimental, nada compensa. É a humanidade que se afeta em toda sua extensão, obscurecendo, até mesmo a esperança. Afinal, o amor está na raiz da felicidade e de todos os bens. A prevalência permite a boa ordem espontânea e a paz em geral. Sua implantação na vida é obra de sabedoria. Acompanhemos, pois, a inspiração do poeta; para ?... acabar com essa tristeza, vamos inventar o amor...?. (*) É médico.

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