Opinião
Decrescendo feio - Editorial
Apesar de não ser surpresa, o pífio crescimento registrado pelo Brasil, no último ano, é degustado com amargor e decepção. Tanta é a frustação que nem vale a pena lembrar a comparação com o sofrido e pauperizado Haiti, único país latino que consequimos ultrapassar no ranking do crescimento econômico. Deixando de lado esse humilhante dado, devemos atentar para o conjunto de informações contidas nesta pesquisa (organizada pelo FMI e divulgada anteontem). Uma primeira constatação deixa patente a manutenção de uma escrita: desde 1996, o Brasil tem crescido abaixo da média mundial. Os estudos realizados pelo Fundo Monetário Internacional indicam que ?entre 1996 e 2006 a economia mundial cresceu em média 4% ao ano, enquanto a brasileira teve uma expansão de 2,3% ao ano?. Dez anos de economia emperrada, uma década perdida (a não ser para os banqueiros). Os dados do FMI confirmam a inexistência de mudanças de rumo na sucessão de governos FHC e Lula. PSDB e PT têm tocado segundo uma mesma partitura, seguido a mesma coreografia. Em termos de economia, o Brasil nada mudou. Descontadas as fraseologias retumbantes e alguns rótulos superficialmente distintos, o caminho continua a ser trilhado na mesma direção e sentido: toda a riqueza produzida é drenada para saciar o apetite dos grandes credores, aos quais, quanto mais se paga, mais se deve. O desenvolvimento, na prática, é tido como algo insustentável, indesejado. E, conforme os números do FMI corroboram, o Brasil está ficando para trás, está perdendo o bonde da história. Segundo esses estudos, desde 1980, o Brasil tem ficado abaixo da média de crescimento da América Latina. Se prestarmos atenção a esses números, descobriremos o porquê do crescimento vertiginoso do crime organizado e da violência.