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M�dicos e Literatura

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JOSÉ MEDEIROS * Recentemente, estive em visita à Academia Brasileira de Letras, por ocasião da homenagem de intelectuais alagoanos ao poeta e escritor Ledo Ivo (único dos atuais acadêmicos nascidos nesta terra de boa literatura). Postei-me diante de um quadro onde estão gravados em bronze os nomes de ?imortais? que de ali participaram ao longo do tempo. Ao pesquisar nomes de médicos que foram membros daquela casa de cultura facilmente identifiquei Antônio Austregésilo, Aloísio de Castro, Carlos Chagas Filho, Guimarães Rosa e Pedro Nava. Nomes que se destacaram na Medicina e nas letras brasileiras, que aliaram a fama profis-sional ao reconhecimento de méritos literários. Faço alusão a esse fato porque no XIX Congresso Brasileiro de Médicos Escritores, acontecido em Belo Horizonte, presidi uma das reuniões em que se discutia a participação do médico no contexto da literatura brasileira. São milhares de médicos escritores espalhados neste país, ora renomados e reconhecidos, ora iniciantes com amplas possibilidades de futuro literário. Costuma-se afirmar que a Medicina é ciência e arte: ?é ciência porque se baseia em conhecimentos científicos adquiridos através do estudo e da experimentação; é arte porque depende da perícia com que os médicos aplicam esses conhecimentos ao lidar com o doente?. E a literatura? Enquanto ouvia a exposição desse tema, recordava os muitos colegas médicos que figuram nos quadros da Academia Alagoana de Letras, Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, Academia Maceioense de Letras, entre outras entidades culturais. São artistas, economistas, poetas, ensaístas e historiadores. De muito tempo, há os que mantêm colaborações habi-tuais em jornais de Maceió; na GAZETA DE ALAGOAS, destacam-se os médicos Milton Hênio, Gilberto de Macedo, Ronald Mendonça, Marcos Davi Melo, Ricardo Nogueira, Mário Jorge Jucá e Sérgio Hora. São muitas as correlações de médicos com a literatura. Uma colega médica que escreve contos, no melhor estilo, disse-me que bastava reproduzir em seus escritos casos clínicos e histórias ouvidas, acontecimentos e eventualidades do cotidiano médico. São ?causos? de muita graça. É só saber contá-los. Toda sua produção é feita de trabalhos revisados, aos quais acrescenta toques de ficção, imaginação e irrealidade. Pergunto se não é necessário: inspiração, dom, chama mágica, ?insight?, para ser escritora? ? Ela ri. No meu caso é pura catarse. Catarse, na Psicologia e na Medicina, é o extravasamento de emoções contidas e reprimidas; são traumas do inconsciente que são projetados em forma de escritas, pinturas e músicas. Exemplifica que o carnaval é a catarse natural do povo, período em que se aproveita a festa sem os limites do cotidiano. De resto, o contato com a realidade brutal do dia-a-dia, com doenças e sofrimentos, mistérios da vida e da morte, atiça e instiga a necessidade de compensações espirituais e culturais. Literatura, música e artes plásticas são válvulas de escape. Nesse Congresso de Médicos Escritores e psiquiatra alagoano, Agatângelo Vasconcelos teve uma de suas obras literá-rias premiada e aplaudida. Um justo reconhecimento ao autor de ?Roberto Lopes, Cores do Tempo e do Espaço? e de vários outros trabalhos no campo científico e da literatura. (*) É MÉDICO

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