Opinião
T�mida acelerada - Editorial
Uma das mais respeitadas revistas do mundo, a britânica The Economist, em seu número mais recente, faz uma análise do Programa de Aceleração do Crescimento (nosso pretensioso PAC) e vaticina: ?É tímido demais?. Avaliam os jornalistas ingleses que o pacote do governo Lula ?pretende estimular investimentos impressionantes de R$ 504 bilhões em infra-estrutura e moradia nos próximos quatro anos? e cortar impostos na cifra ?não tão impressionante de R$ 6,6 bilhões?. Apontando para esta análise, o título do artigo procura sintetizar a avaliação sobre o ?serviço incompleto? elaborado pelo governo brasileiro. A manchete ?Mexido, mas não sacudido? procura pôr o dedo na ferida, indicando que apesar do esforço, falta algo essencial no projeto para acelerar a economia. E a comparação é clara: contraditoriamente, se vai jogar uma boa soma na ciranda da produção, mas não se tem igual ousadia no conjunto de medidas indispensáveis para construir algo efetivamente novo. Foi tímido no corte de impostos e na redução da taxa básica de juro. Corretamente, os jornalistas da revista britânica avaliam as limitações da iniciativa de se despejar um bom dinheiro para se alavancar empreendimentos, mas não desonerar o processo produtivo ? que segue oprimido pela maior taxa de juro do mundo e por uma paquidérmica carga tributária. Para multiplicar empreendimentos, empregos e renda, é preciso algo mais que dinheiro. É indispensável uma política de desenvolvimento capaz de afrouxar as amarras que manietam a economia brasileira (hoje exclusivamente voltada para o pagamento dos serviços das dívidas). Tímido demais. Aí está uma boa avaliação para a primeira grande iniciativa do segundo mandato Lula. Como nem mais o presidente fala no ?espetáculo de crescimento?, parece que temos um show de barzinho à vista.