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Opinião

A sinceridade condenada

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| Marcos Davi Melo * Quem está errado? O sujeito que permanece comodamente aferrado às suas idéias juvenis, independente do que possa acontecer ao seu redor e das voltas que o mundo possa dar, ou o que reviu, alterou sedimentadas concepções de vida e assumiu uma postura compatível com a realidade que o cerca, mesmo que para isto precise ter insubstituível autocrítica, humildade e assuma que estava errado? O professor Renato Janine Ribeiro é um intelectual respeitado. Ou melhor, era. Além de titular de Ética e Filosofia da USP, é coordenador nacional do CAPES. Autor de inúmeras obras que sempre foram referência entre os que formam o consensus omnium da inteligência nacional. Recentemente, por conta de um artigo publicado na Folha de São Paulo, caiu em desgraça, levou mais pancada que craque jogando no meio de pernas-de-pau. Neste artigo, Janine ? que sempre defendeu posições conciliatórias e brandas perante os criminosos, principalmente se menores de idade ?, se rende à indignação diante do bárbaro crime do menino João Hélio Fernandes, recomenda punição rigorosa para os criminosos e vai além: almeja que eles sejam submetidos a intenso sofrimento na cadeia; cita e namora a pena de morte e quase, por pouco não a defende. A indignação que o levou à revisão de suas posições não foi perdoada por seus pares. Por mais que a violência que nos cerque exija reação, até por uma questão de sobrevivência, os humanistas de laboratório continuam a querer soluções definitivas e idílicas, que só viriam após ampla reforma do Estado, da sociedade e do caráter do nosso cidadão ? enfim, uma postura de 1º mundo ?, que no mínimo levariam longuíssimos tempos para se concretizarem, se factíveis dentro da anárquica realidade política nacional. A escalada da violência, a sucessão de crimes bárbaros e hediondos, não deixa mais espaço para sofismas. Enquanto as soluções civilizatórias do primeiro mundo não vêm, precisamos de penas mais duras, não só para os crimes hediondos, mas para os pequenos delitos do dia-a-dia, que moldam o caráter permissivo nacional. Precisamos penalizar rigorosamente os meliantes, entre eles os de 16 anos, muitos deles criminosos sanguinários, cruéis. O clima de terror exige reação compatível com a realidade enfrentada. Janine despiu-se publicamente, assumiu uma posição desconfortável, foi intelectualmente sincero; assim, contrariou as patrulhas ideológicas que não perdoam a independência mental. (*) É médico e professor da Uncisal.

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