Opinião
Precisamos mudar nossos paradigmas sobre viol�ncia
| Sérgio Papini Uchôa * Em recente matéria publicada no Jornal Valor Econômico com base no levantamento intitulado ?Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros?, elaborado a partir do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, de 2004, encontramos importantes elementos para reflexão sobre a realidade brasileira e alagoana. A taxa de homicídios por cada 100.000 habitantes, mostra Alagoas como o 6º Estado mais violento, atrás de Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Rondônia e até do Distrito Federal, que tem os melhores indicadores sociais e econômicos entre os Estados brasileiros. Entre os Estados menos violentos, encontramos Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Tocantins, Maranhão e Piauí. Os dois últimos têm uma realidade econômica e social muito próxima da de Alagoas, mas com um índice de homicídios que representa cerca de 1/3 do nosso. Essas estatísticas servem de alerta para quebrar paradigmas ? a exclusão e a desigualdade social são fatores alimentados da violência, mas não são determinantes. O que Maranhão e Piauí fazem para conseguir um resultado tão diferente do nosso? Será que lá o sentimento de impunidade é menos disseminado na sociedade? Será que lá os delinqüentes têm mais respeito às autoridades policiais? Será que lá a justiça é mais eficaz? Ou será que o sistema prisional é mais organizado? Ou ainda, serão as famílias mais ajustadas? Ou as escolas funcionam em tempo integral e ocupam os alunos por mais tempo? Será que lá as escolas de periferia são abertas à comunidade para seu lazer, capacitação e treinamento durante os fins de semana? Será que a proliferação das drogas está num nível inferior ao do nosso Estado? Precisamos descobrir as respostas para estas e outras perguntas. O povo de Alagoas faz questão de mudar de patamar, para bem melhor, nessa estatística. Aos poderes constituídos, a sugestão de verificar ?in loco?, para aprender com os exemplos do Maranhão, do Piauí, do Rio Grande do Norte, da Bahia e até de Bogotá (capital da Bolívia), que se tornou referência mundial na superação de problemas crônicos de insegurança, implantando-os adaptados à nossa realidade. (*) Presidente da Associação Comercial de Maceió e da Federalagoas.