Opinião
Ajustando o foco - Editorial
Premiado mais de uma vez, o jornalista e cineasta alagoano Jorge Oliveira está realizando mais um filme sobre um conterrâneo seu. Desta vez, o foco está sobre Manoel Fiel Filho. Pouco conhecido em seu Estado, Fiel Filho é considerado o último dos presos políticos brasileiros a ser trucidado nos cárceres da ditadura. Foi assassinado em São Paulo onde vivia e trabalhava como metalúrgico. Simples operário, seu sacrifício não rendeu destaques maiores. Passou para a história como ?a última vítima?, mas quase nada se falou sobre ele durante três décadas. A vida e o martírio deste alagoano, agora, é tema de filme. Obra que contará um pouco da história recente do Brasil. Se prestarmos um pouco mais de atenção aos personagens que Alagoas projetou para o Brasil, encontraremos temas de filmes e livros, e de quaisquer outras manifestações artísticas. Muitas são as grandes personalidades brasileiras nascidas em Alagoas, e entre (muitas) tragédias e (algumas) alegrias, encontraremos temas para teatro, literatura, filmes... E encontrar-se-á, através da arte, formas criativas de se ensinar a história do Brasil aos brasileiros e, porque não, ao mundo. Que filmes maravilhosos dariam as vidas de Nise da Silveira, Octávio Brandão, Jararaca, Calabar, Floriano Peixoto, Deodoro da Fonseca e tantas outras personalidades alagoanas? Zumbi, Ganga Zumba, Tenório Cavalcanti, Graciliano Ramos já foram temas de grandes produções do cinema nacional, comprovando a vitalidade dessas biografias alagoanas. Resta torcer para que a moda pegue, para que esse caminho seja mantido e ampliado, para que vidas notáveis de alagoanos destacados possam ser reconhecidas como objetos do cinema, da TV, do teatro, da literatura contemporânea.