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Maioridade cidad� - Editorial

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Em levantamento feito pela imprensa carioca, no ano passado, 170 pessoas foram atingidas por balas perdidas na região metropolitana do Rio de Janeiro. Dentre essas baixas, 44 óbitos. 126 ficaram feridas. Dentre as vítimas, 35 crianças com menos de 13 anos. Um quadro assustador, que demonstra irrefutavelmente a gravidade da crise da segurança pública no País. Neste cenário de guerra civil, não faltam vozes a berrar por soluções supostamente mágicas, como o aumento da maioridade penal. Recentemente, também no Rio de Janeiro, um bárbaro crime chocou a opinião pública e desencadeou uma onda pela alteração da maioridade penal. Clamou-se contra a ?permissividade? da Lei em relação aos menores de idade supondo-se entre os suspeitos um menor. Depois, como só maiores foram responsabilizados, a campanha arrefeceu, mas ainda faz eco como se esse fosse o maior problema da segurança pública. Em se prestando mais atenção ao dantesco quadro da insegurança pública, porém, constata-se que a questão da maioridade penal é apenas uma parte da grande tragédia do crescimento do banditismo e da impotência das autoridades públicas em lhes fazer frente. Maior que a necessidade de se discutir a maioridade penal é a necessidade de se resgatar a menor idade dos riscos de uma sociedade exposta ao poder do crime. O número de crianças alcançadas por balas perdidas (considerando apenas os números cariocas) é algo assustador. Proteger essas crianças (assim como todas as idades) é dever do Estado. Chega de buscar soluções simplórias (e falsas) para os graves problemas que flagelam o País. Muito antes de se pensar em reduzir a maioridade penal, devemos pensar em aumentar a maioridade cidadã, buscando soluções óbvias, como garantir aos menores escolas em tempo integral, e reais oportunidades na vida.

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