Opinião
O dilema dos humanos no planeta Terra
| José Medeiros * Ultimamente, não se tem uma discussão sobre a realidade atual, que permita deixar de fora a chamada crise ambiental que compromete o planeta Terra. São tantas as opiniões e divergências sobre o assunto, que deixam confuso qualquer um que tente tomar pé sobre a situação real. No entanto, uma única coisa parece ser consenso entre os que debatem o tema: a forma como vivemos precisa de reparos urgentes ou a vida sobre o planeta corre sérios riscos. Não é recente a constatação de que os recursos naturais do planeta estão acabando, e, por isso mesmo, os cuidados com eles deveriam estar no topo das preocupações dos que dirigem os países. As conseqüências dramáticas do aquecimento global já são parcialmente conhecidas. Entretanto, ao contrário do que deveria acontecer, as preocupações com o meio ambiente somente passaram a ocupar lugar de destaque nas agendas das nações mais desenvolvidas, há cerca de 20 anos. Ao que parece, a questão ambiental requer muitas reflexões e firmes posições, pois passam tanto pelo modo de produção de serviços e produtos, como pela necessidade consumista cada vez mais presente nas sociedades atuais. Existem os abastados que tendo acesso fácil a serviços e produtos, consomem mais, trocam de celular e carro a cada ano, adquirem roupas compulsivamente, e, inadvertidamente, fecham um ciclo que se inicia com a produção, mas cujas conseqüências são bem mais amplas. Degradação ambiental, efeito estufa, aquecimento global e poluição, são assuntos de que todos ouvem falar. O que muitos dos humanos não sabem, ou ainda não estão sensibilizados, é como poderão contribuir para diminuir essa estranha e corrosiva pressão sobre o planeta. Reuniões se sucedem... Governos patinham... Os que se julgam árbitros do mundo (EUA, por exemplo) são os que mais poluem e pouco demonstram intenção ou compromisso de atenuar os efeitos nocivos existentes. Quando estive na cidade de Rio Branco, capital do Estado do Acre, há 15 anos, a grande discussão local era como ensinar a população a viver dos produtos da floresta, sem destrui-la. Entretanto, enquanto isso, governos cediam grandes áreas para queimadas e desmatamento da floresta, destinadas à criação de bovinos. A Terra é nossa casa, precisamos cuidar bem dela, pois este é o legado que vamos deixar às novas gerações. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.