Opinião
Um jovem de 73 anos
| José Luitgard Moura * Diz-se que a história é feita de homens e livros. Eu ousaria acrescentar que a história é construída por homens, livros e ações. Todos nascemos vazios e vamos preenchendo nossa existência de acordo com a nossa luta, nossa competência ou não e nossas conquistas. É muito gratificante comemorar-se mais um aniversário, receber as homenagens, porém mais importante é sabermos-nos merecedores delas. E, poucos se dão conta de que um aniversário não é apenas um acontecimento do dia, mas o resultado de toda uma vida que se adequa no momento presente. É o caso da Gazeta de Alagoas chegando aos seus 73 anos. Quem teve a feliz oportunidade de conhecer o seu grande mentor, sabe bem a razão do seu sucesso, da sua história ou vice-versa. Refiro-me ao senador Arnon de Mello, a quem tive a felicidade de pedir orientação ? eu, iniciando minha 1ª função pública na década de 70 ? e o mestre Arnon de Mello já maduro, vencedor como político e como jornalista. Permitir-me-ei apenas citar uma pequena mostra de quem foi Arnon de Mello. Quando na função pública, recebi uma crítica injusta de um jornalista (de um outro jornal) que me hostilizava por razões pessoais, procurei o senador para orientar-me como deveria reagir. O mestre Arnon de Mello então aconselhou-me: ?Meu caro professor, a sua resposta é uma decisão pessoal, o que vale é a sua consciência, que no seu caso está tranqüila (ele sabia do caso). Então lembre-se, que crítica injusta é como queimadura de Sol na praia: a 1ª vez é dolorosa e cria até bolhas; a segunda já encontra a pele mais adaptada e a terceira em diante, você deve transformá-la em bronzeador?. Nunca esqueci dessas sábias palavras de um homem que também sofreu, lutou e venceu. Não por acaso a história deu-lhe o lugar de destaque que merece até hoje, e não por acaso também a história repetiu a trajetória de luta, injustiças e vitória de seu sucessor político, senador Fernando Collor de Mello. Vale, por justiça, também, lembrar uma figura discreta que tem a grandeza dos humildes, mas que é maior ainda pelas suas ações jornalísticas e culturais na Gazeta: é Ana Luísa Collor de Mello. Ela não se promove, mas sua presença vitoriosa faz-se notada nas vitórias da Gazeta; por isso aos 73 anos esse jornal é um jovem, por sua modernização, por sua equipe, do mais alto ao mais simples ? funcionários e diretores ? porque todos são iguais nos seu sonho e são competentes na sua realização. Parabéns não somente à Gazeta de Alagoas, mas parabéns a Alagoas por ter a Gazeta. (*) É educador e diretor da Fama.