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Opinião

Parindo ratos e monstros

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| Sérgio Costa * A TV nos mostra cotidianamente os retratos da violência urbana. São cenas terríveis! Nossos olhos a tudo observam e enviam fotos para o cérebro. Comovidos, embarcamos no processo de empatia e sentimos as dores dos familiares das vítimas. E, como que entorpecidos, esquecemos de esmiuçar as causas das tragédias. Isso é compreensível, pois as raízes do mal germinam às escondidas nos recônditos mais desprezíveis da alma humana. Como a nossa pobre visão não consegue transpassar paredes entre as quais seus tentáculos produzem grande parte das nossas desgraças, os olhos não enviam fotos para o cérebro. Por isso, não nos emocionamos ou não nos indignamos. O que fazer então? Analisar as relações causa/efeito/solução provenientes do processo político, onde tudo ou quase tudo começa. E aí percebemos que a nossa sociedade, no lugar de exigir serviços e soluções eficientes para a gestação do seu desenvolvimento, prefere perdoar os ratos e punir os monstros que ela própria pariu! De fato, se os recursos públicos são (como nos mostra o farto noticiário) utilizados para socorrer privilégios, desperdiçados em administrações perdulárias ou desviados pela corrupção, vai faltar dinheiro para investir em infra-estrutura? O País pára de produzir e, sobre ele, avançam ferozmente a fome, a miséria e a violência. Vão faltar verbas para a saúde? E as pessoas morrerão por falta de assistência. Vão faltar recursos para investir em educação, música, esporte, ética e filosófica política? E produzimos seres impiedosos. (Prenda-os!!!). Esses exemplos não são exaustivos e, muito menos, são fantasias extraídas das minhas inquietações. São reais. E comprovam que precisamos atacar a causa primeira que alimenta a maioria dos nossos dramas, qual seja, a delinqüência estatal. Não! Por que será que Santo Agostinho chamava o Estado de ?magna latrocínia?? Lembremo-nos também do que dizia Aristóteles: ?O homem será o mais impiedoso e feroz dos animais, e somente o controle social poderá torná-lo virtuoso?. Leitor, analise o caso do menino João Hélio, morto por ladrões adolescentes nas ruas do Rio de Janeiro. A ausência do Estado, a desagregação familiar, que resulta na falta de carinho e orientação dos pais; e a desocupação foram, a meu ver, os autores materiais do crime. Comovido pelo impacto das cenas, o cérebro da Nação esqueceu de responsabilizar os autores intelectuais e preferiu reabrir a discussão sobre a maioridade penal! (*) É contador.

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