Opinião
Cresce o banditismo - Editorial
Nunca foi de completa tranqüilidade o interior alagoano, como no resto do Brasil e especialmente no Nordeste, onde cangaceiros e jagunços infernizaram a vida dos pacatos cidadãos por décadas a fio. Mas, algo de inquietante começa a acontecer, nos dias de hoje, em vários municípios alagoanos. Na maioria dos casos, o banditismo que castigava os municípios interioranos tinha cara conhecida, com traços de disputas antigas, vinditas. Hoje, além dessas lamentáveis características ainda se mostrarem com força, outras mazelas (típicas dos maiores centros urbanos) começam a flagelar as comunidades interioranas. Há dias, o clima de insegurança pública provocou uma expressiva manifestação de rua no município de Barra de Santo Antônio. Bucólica urbe do Litoral Norte, famosa por suas praias e rios, Barra de Santo Antônio viu-se, de uma hora para outra, vítima de gangues que aterrorizam a região e chegam a ousadia de determinar ?toque de recolher? ? um ato de insolência contra a cidadania antes só testemunhado em áreas densamente povoadas, geralmente na periferia das grandes cidades, onde o tráfico dita as ordens. Pois esse clima de terror, de afirmação do poder das gangues, está sendo estabelecido em cidades pacatas ? e sem tradição de criminalidade urbana ? como Barra de Santo Antônio. Numa outra característica de cidade grande, o povo saiu às ruas para protestar. E neste caso, seguir um bom exemplo de conscientização típico das metrópoles. Infelizmente, o poder dos bandidos ainda é maior que a força da comunidade pacífica. Infelizmente, os poderes públicos continuam sem responder à altura a esta onda de crescimento do crime organizado. Lamentavelmente, seja nas cidades maiores, ou nos menores municípios de Alagoas, o cenário é o mesmo: crescimento do banditismo.