Opinião
Rosas de Saron
| Ronald Mendonça * O Brasil é um grande hospital, disso todos sabem, desde os tempos de Miguel Couto, a quem erroneamente se atribui a paternidade dessa sempre atual constatação. Formando um trinômio maldito junto à segurança e a educação é preciso que se vasculhem novas alternativas para a saúde. Vergonha nacional, a assistência obstétrica em Maceió é calamitosa. Palcos de dramas e tragédias, as maternidades, particulares ou públicas, vivem crises eternas. Algumas até num ?fecha-não-fecha?, caso da tradicional Maternidade Paulo Netto, cujos berços embalaram sonhos e esperanças de boa parte da população nascida nos últimos 50 anos. Embora tratado como se detivesse estatuto ontológico, na verdade, o SUS, inventado há alguns anos, é uma estrutura que concentrou as várias funções na área da saúde. Sob o tacão de burocratas medíocres, a excessiva centralização expôs sua ineficiência. Em Brasília e nos Estados, os gestores talvez considerem normal o desmantelo nos fedorentos hospitais públicos de emergência. Nestes, tendo como pano de fundo inacreditável o odor da mistura de excreções e secreções diversas, pacientes em diferentes graus de gravidade amontoam-se em insalubre convívio. Se a emergência é dramática, a assistência eletiva é catastrófica. Fruto de alguma mágica, de tempos em tempos somem medicamentos das prateleiras das farmácias, da aspirina ao calmante. Os mais caros, de uso continuado, costumam ser liberados apenas após demanda judicial... Para exames complementares, como a angiografia, a tomografia e a ressonância, percorre-se via crúcis que dura em média três meses. Não é raro que os doentes morram antes. Cambaleante, contudo arrogante, sem competência para atualizar honorários médicos e diárias hospitalares, o SUS está matando a assistência médica. As apregoadas ?universalidade? e ?eqüidade?, não passam de fantasias psicodélicas. Anotem: o SUS vai cometer a proeza de fechar boa parte dos hospitais de Maceió. Nessas chuvas de incertezas, quem sabe, a saída honrosa do SUS não estaria próxima? É que além dos, hoje, triviais exorcismos, uma igreja evangélica vem adotando três métodos infalíveis de massificação das curas: banho de descarrego, rosa de Saron e fogueira de Israel. Com efeito, odiando médicos em geral e hospitais privados em particular, certamente o SUS vai adorar saber que curará da leucemia ao alcoolismo investindo apenas em prosaicos chás de pétalas de rosa de Saron. (*) É médico e professor da Ufal.