Opinião
Campo minado - Editorial
Embora esteja longe de ser a revolução imaginada por alguns, o início de entendimento entre Brasil e Estados Unidos acerca do etanol, é um fato novo no conturbado cenário energético internacional. Não é o álcool a panacéia para os males energéticos do mundo contemporâneo, mas, indiscutivelmente, esse combustível renovável é um significativo alento para os gravíssimos problemas vividos, ou anunciados para estrear em breve, no grande palco da economia globalizada. Não imagine como fácil o descortinar de uma fase de irresistível aceitação do nosso álcool da cana-de-açúcar. Nem sonhe com o nocaute dos derivados fósseis (não vos esqueceis da força dos donos do petróleo). Enquanto nós e outros nos empolgamos com as perspectivas positivas do álcool combustível, vozes importantes começam a aumentar o tom de voz contra supostas inconveniências do uso, em larga escala global, do etanol. Quase simultaneamente, enquanto Bush e Lula assinavam seus acordos sobre o tema, líderes de 27 países europeus fechavam, em Bruxelas, um pacto para redução em 20% das emissões de CO2, ainda este ano; e comprometem-se a que sejam de origem biológica 10% dos combustíveis consumidos pelos veículos em cada país da Europa. Pontos para o etanol. E ao mesmo tempo, a European Environmental Bureau (EEB), poderosa associação de 140 ONGs ambientais, sediada na Europa, emitia seus (influentes) alertas sobre possíveis problemas ambientais causados pelo salto de produção do etanol. Ponto contra o álcool combustível. Deve o Brasil apostar no álcool combustível como opção de consumo interno e exportação, mas não pode fazê-lo de forma ingênua, sem um planejamento criterioso. O mercado dos combustíveis é um eterno teatro de guerra (fria e quente), onde ninguém pode entrar em cena de peito aberto.