Opinião
De m�os para o alto - Editorial
Alagoas continua chocada com o seqüestro do juiz Paulo Zacarias e com a ausência de informações sobre o caso. Apesar dos esforços, inexistem respostas às indagações comuns em casos deste tipo. Emblemática é a presença de segurança ostensiva à porta da Associação dos Magistrados de Alagoas, pós-seqüestro, como a reafirmar a máxima: ?brasileiro só fecha a porta depois de roubado?. Na verdade, nem copiamos o dito popular, pois na maioria dos casos, passados os momentos iniciais de revolta, ?tudo volta a ser como dantes, no quartel de abrantes?. Afinal, há quantos anos esperamos, sendo pacientemente espoliados pelos meliantes, novas políticas públicas de segurança? Insegurança pública é um traço comum a todo Brasil, isto é inegável. Alagoas não é uma exceção à regra e isso, ao invés de servir de consolo, nos indica a gravidade de uma realidade onde o crime cresce assustadoramente em todo País. O avanço do crime, em todas as suas modalidades, em escala nacional, demonstra que não poderemos alcançar êxitos, neste combate, em áreas específicas. Precisamos definir, urgentemente, novas políticas públicas de segurança. Precisamos sair da teia de justificativas pretensamente sociológicas, falsamente humanistas, nas quais se pretende condicionar o enfrentamento do problema do banditismo à resolução das mazelas sociais. Disparidades sociais são resolvíveis a médio e longo prazo, enquanto a segurança pública exige respostas imediatas. Quantas crianças mais serão achadas por balas perdidas ou arrastadas pelas avenidas? Quantos magistrados mais serão seqüestrados? Quantos policiais mais serão mortos? Quantos mais ônibus serão incendiados com passageiros dentro? De quantas barbaridades mais padecerá a sociedade brasileira para que nossas autoridades percebam a necessidade de se dar um basta a tudo isto?