Opinião
Impress�es sobre um gestor cultural de 93 anos
| Benedito Ramos * Embora já tenha comentado, outras vezes, sobre questões da economia cultural gostaria de apresentar ao leitor uma observação pessoal sobre o assunto. Desta vez, os parâmetros sobre ofício de gerir a cultura vêm de uma única pessoa: Ib Gatto Falcão. O presidente da Academia Alagoana de Letras é um caso antológico para a população alagoana. As pessoas sempre têm uma história particular a contar do médico e de sua paixão pelo ser humano. Pessoalmente, a vida só me deu a chance de conhecê-lo um pouco mais tarde, embora tenha ouvido seu nome, muitas vezes da boca do relojoeiro Floriano Amorim, meu tio que o estimava como a um pai. E talvez tenha sido este o motivo da aproximação, quando veio visitar o Palácio do Comércio, após a restauração, em princípio de 2000, quando lá cheguei. Não foi difícil ter a sua atenção, principalmente, com ouvidos atentos às suas explicações históricas sobre o edifício. Memória colossal! Com o passar do tempo experimentei o sabor de seus comentários sobre minhas crônicas. E as questões culturais de Alagoas passaram a ser rotina em nossas conversas. Sabe tudo o que acontece, sempre com uma pitada de humor e do empirismo próprio da longevidade. Comecei a ver o administrador Ib Gatto e o que fez na presidência da Academia, até transformá-la numa das entidades culturais mais importantes do Estado. E, se antes eu pensava que esta importância se dava, apenas por causa de seu nome, comecei a ver que a credibilidade deste nome tinha servido para conferir à casa uma luz própria com ações para garantir sua sustentabilidade. Quem não conhece o Presidente da Academia Alagoana de Letras, não faz idéia de sua azáfama, quando o assunto é a instituição que administra. Sua mente abriga uma rotina de afazeres que começam no instante em que se senta. É capaz de ditar uma carta, um discurso ou a resenha para o jornal na íntegra, com todas as vírgulas e pontos no lugar certo. Não esquece os acontecimentos e compromissos. Odeia a burocracia que emperra processos e decisões. Não se furta em pedir ajuda aos inúmeros amigos quando o assunto é de interesse da casa. O seu dia parece ter mais que vinte e quatro horas e não se encerra no fim do expediente. Está sempre atento aos acontecimentos políticos, preconizando idéias e oportunidades. Sua gestão é centrada no futuro da entidade onde cada decisão é fundamental para sua perenidade. E não é raro repetir: ?a Academia, não é o prédio, nem os livros, somos nós?. (*) É artista plástico e escritor ([email protected]).